Dorin Azerad raspou os cabelos em Fevereiro de 2018, aos 25 anos, após anos batalhando contra a tricotilomania, uma doença comportamental que gera impulsos incontroláveis de arrancar pelos e fios de cabelo. Cansada de sentir vergonha da aparência, a atitude foi uma forma de se reapropriar de sua história e mostrar que mulheres são mais do que seus cabelos.

“Tive problemas com perda de cabelo por tanto tempo, isso controlava minha vida. Queria retomar o controle e [cortar os cabelos] foi terapêutico, um momento de desapego. Foi algo muito poderoso”, descreveu Dorin ao jornal Metro UK.

 

Ver essa foto no Instagram

 

One year ago, I shaved my head. I was nervous & afraid to lose what I had held so dear for so long. But my hair had become more than just hair to me. It had become the embodiment of decades of limitations I had placed on myself. It was time for me to take control. So I shaved it off. One year later, I feel stronger than ever. – February 1, 2018 THE BIG SHAVE. Even after my last post, I debated whether or not I wanted to share this. I’m loving my newly bald head, but the thought of people seeing my pre-shaven “real hair” is beyond nerve racking. However, I decided it’s finally time for me to stop hiding and let go of my “real hair.” My hair hasn’t always looked like this. I’ve had more hair and less hair. I started pulling from my head in late 2001, and the last time I had a full head of hair was the summer of 2003. It’s all gone now and I can’t say I miss it!

Uma publicação compartilhada por Dorin Azérad (@dorinazerad) em

A jovem começou a puxar cílios e pelos da sobrancelha aos quatro anos de idade e sua condição chegou a ser confundida com alergias. Porém, aos oito anos, ela já arrancava tufos do cabelo. A moradora do Texas, nos Estados Unidos, fez terapia durante 10 anos, até os 18, mas explica: “isso me ajudou a entender os sentimentos que eu tinha quando arrancava o cabelo, quando estava estressada ou ansiosa, mas não me parou”.

A compulsão foi criando falhas, que eram escondidas com rabos de cabelo ou penteados estratégicos. Com vergonha, ela não revelou a condição para amigos, namorados e familiares e costumava fingir que as perucas eram seu cabelo real.

Por isso raspar os fios foi uma atitude tão libertadora.

Hoje, ela não tem problemas em dizer que usa perucas e cílios postiços diariamente no trabalho. Sua trajetória a inspirou a se tornar uma cabeleireira para ajudar outras pessoas que sofrem com queda de cabelo.

“Quero mostrar que há muito mais na vida do que cabelos”, explica. “Algumas clientes têm arrancado os cabelos por 40 anos e eu sou a primeira pessoas para quem elas contam isso. Há tanta vergonha associada à tricotilomania. É difícil aceitar a queda de cabelo permanente quando nossas aparências são diferentes dos padrões estéticos”.

“O salão de cabeleireiro pode ser um lugar assustador para quem sofre com queda de cabelo. Você não quer expor os pontos calvos para pessoas que não sabem o que está ocorrendo”, contou Dorin.

Trabalhando em um salão especializado para mulheres, homens e crianças com queda de cabelo, Dorin gosta de reforçar em seu Instagram, plataforma usada para inspirar outras pessoas que passam pelo mesmo problema: “eu aproveito a vida com e sem peruca”.

Fechar X
Fechar X
Sem mais artigos