Reprodução/Facebook/Leeds Museums and Galleries

Um grupo de pesquisadores conseguiu reproduzir a voz de um religioso egípcio mumificado há 3 mil anos graças a scanners e tecnologia 3D. O resultado foi divulgado na revista científica ‘Scientific Reports’ na quarta-feira (23) por um time de pesquisadores da Universidade de Londres, Universidade de York, Royal Holloway e do Leeds Museum.

Por meio de tomografia computadorizada, o grupo mediu as dimensões do trato vocal da múmia e conseguiu recriá-lo com uma impressora 3D. Ligando-o a uma laringe artificial e a um alto-falante especial, puderam simular a voz de 3 mil anos atrás.

Os pesquisadores reproduziram um segundo da voz do religioso, chamado Nesyamun. O som computadorizado remete ao fonema da vogal ‘e’. Ouça:

Só foi possível extrair o som porque os tecidos moles da garganta e trato vocal da múmia estavam razoavelmente intactos. Por este motivo o religioso egípcio – atualmente em exposição no Leeds City Museum, na Inglaterra – foi escolhido para participar do projeto ‘Voices of the Past’, (‘Vozes do Passado’, em tradução livre). O estudo ressalta que seria impossível restaurar um som de restos mortais compostos apenas por ossos.

Segundo contam os pesquisadores, Nesyamun viveu sob o reinado de Ramses XI, no início do século XI a.C., trabalhando como escriba e religioso no templo de Karnak, em Tebas (onde atualmente é a cidade de Luxor). A voz era uma parte importante de seus rituais, que incluíam canto. O corpo do egípcio foi descoberto em 1824 e as primeiras pesquisas científicas foram publicadas em 1828.

No entanto, a voz reproduzida pelo estudo não é uma réplica precisa de como o religioso falava, pois a língua perdeu massa muscular ao longo do tempo e o palato mole não estava presente.

Mas os antigos egípcios acreditavam que “falar o nome dos mortos faz com que viveram novamente”, portanto, os pesquisadores acabaram por realizar o desejo de Nesyamun de ter sua voz e nome ouvidos após a morte, e assim viver para sempre.

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