O dia 20 de novembro marca oficialmente no Brasil o Dia da Consciência Negra. É feriado em 10% dos municípios do país.

Historicamente, a data faz referência ao assassinato de Zumbi dos Palmares. Em 1695, 193 anos antes da abolição da escravatura, Zumbi foi morto em uma emboscada e teve sua cabeça exibida em praça pública. Ele esteve a frente por quase 20 anos da resistência contra a escravidão, período em que foi líder de Palmares, o maior quilombo do período colonial, localizado na Serra da Barriga, em Alagoas.

Para marcar a data, listamos alguns fatos e números sobre a história e a realidade da população negra no Brasil.

1) Do século XVI ao XIX, estima-se que 12,5 milhões de pessoas foram forçadas a embarcar da África para as Américas. Neste cenário, o Brasil foi o maior destino de escravos no continente. Somente na Bahia, desembarcaram cerca de 1,7 milhões de africanos na condição de escravos. Acredita-se que mais de 200 mil pessoas tenham morrido nos barcos durante a travessia do Oceano Atlântico. Os dados são do Banco de Dados do Tráfico Transatlântico de Escravos, feito em parceria entre universidades do Brasil, Estados Unidos e Inglaterra.

2) No Brasil, a abolição da escravatura foi gradual. Começou em 1850 com a proibição do tráfico de escravos. Depois, outras leis garantiam a liberdade aos escravos com mais de 65 anos e às crianças nascidas de mulheres escravas a partir de 1871. Só em 1888, foi finalizada a abolição com a assinatura da Lei Áurea. Ou seja, a escravidão durou mais de 380 anos e foi abolida há apenas 130.

3) O Brasil é uma mistura étnica dos povos que aqui chegaram e já estavam: índios, negros e brancos. Atualmente, mais de 50% da população se identifica como negra ou parda.

4) Ainda segundo o IBGE, a renda média de um negro é de R$ 1.570 e a de um branco é de R$ 2.814.

5) Entre os 10% da população mais pobre do Brasil, 75% destas pessoas são negras. Entre o 1% mais rico, apenas 17,8% se identificam como negros e pardos.

6) Outro dado do IBGE mostra que 9% da população negra tem curso superior, enquanto 22% da branca conclui a faculdade.

7) Segundo o Ipea, entre 2006 e 2016, a taxa de homicídios entre negros cresceu 23%, enquanto a taxa entre a população que não se identifica negra caiu 6%.

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