Você, cara leitora, já foi chamada de piriguete ou histérica? E você, querido leitor, já chamou alguém de bruxa? Diversos preconceitos ainda são carregados em nossa língua sem que percebamos muitas vezes. Infelizmente, usar certas expressões e palavras só perpetuam o machismo. Mesmo que quem as utiliza não faça por má intenção.

Em comemoração ao Dia da Mulher, os especialistas da Babbel, aplicativo de idiomas com mais de 150 linguistas de 15 países, fizeram uma lista que mostra como diferentes idiomas ainda reforçam uma relação desigual entre homens e mulheres.

Confira 10 palavras que, infelizmente, ainda são usadas para reforçar os preconceitos de sociedades patriarcais e machistas:

Histérica (português, mas a palavra também existe em outros idiomas)
A histeria foi uma doença equivocadamente associada às mulheres por muito tempo em em que foi estudada apenas por homens. Na Grécia Antiga, Hipócrates, um dos pais da medicina, acreditava que o útero, quando “frustrado”, vagava pelo corpo. O órgão errante era o culpado por sintomas como irritação, palpitações e ansiedade, sendo chamada “histeria”, do grego Hystéra, que significa ventre. Já os romanos acreditavam que a histeria estava relacionada à falta de sexo. Na Idade Média, os padres associavam a histeria à possessão demoníaca. Vale se perguntar qual é o impacto do machismo em transtornos mentais femininos.

Mulher de malandro (português)

A expressão normaliza a violência doméstica ao subestimar um assunto sério. Usar o termo, que se refere à mulher que apanha mas não larga o marido, é colocar na vítima a responsabilidade pela violência sofrida, absolvendo o agressor. Chamar alguém de “mulher de malandro” é ignorar os motivos que a fazem ficar em uma relação abusiva: falta de condições econômicas para criar as crianças sozinha, falta de apoio das pessoas ao redor, medo de ser assassinada pelo marido etc. Mulheres presas em uma relação abusiva muitas vezes nunca conseguem se libertar porque o abusador a humilha e a diminui até aniquilar a força e a autoestima necessárias para que consiga sair da relação.

Piriguete/ pegador (português)

Piriguete é outro termo pejorativo para se referir à mulher que faz e veste o que quer, sem se importar com a opinião das outras pessoas. Portanto, piriguete pega quem quer e quando quer. Em vez de ser vista como uma mulher que constrói sua identidade a partir da liberdade de seu desejo, ela acaba ganhando um rótulo negativo. Já o homem com a mesma atitude é comumente visto positivamente como “pegador” ou “garanhão”.

Bruxa (português, mas também existente em outros idiomas)

Desde os tempos de Joana d’Arc, mulheres que não aceitavam os papéis sociais impostos a elas eram consideradas bruxas. Hoje, o termo continua tão machista quanto antigamente. A palavra geralmente é utilizada para se referir a mulheres fora do padrão estético e que não tentam agradar. Os alvos desse adjetivo-substantivo frequentemente são mulheres mais velhas, solteiras e conectadas a um modo de viver que não reduz a mulher a posição de mãe ou esposa, como se envelhecimento feminino fosse especialmente maléfico.

Língua materna (português, mas também existente em outros idiomas)

Ainda hoje, as mães acabam sendo as principais responsáveis pelo desenvolvimento linguístico das crianças. Afinal, na maioria dos países, ainda são elas que ficam em casa cuidando – e se comunicando – com os bebês.

Lady (dama, em inglês)

A escritora britânica Virginia Woolf defende a educação e a emancipação econômica das mulheres e observa em um de seus livros que, “como outras filhas de homens cultos, Sophia Jex-Blake era o que se chamava de a lady (uma dama)”. Naquela época, damas (mulheres finas e de família rica) não trabalhavam. Ainda hoje, chamar alguém de lady reforça a ideia de que ‘mulher de boa família’ é uma ‘mulher do lar’.

Gars/Garce (moço/mulher promíscua, em francês)

Em francês, gars significa jovem. Já a versão feminina, garce, é usada para se referir a uma mulher promíscua.

Scapolo/Zitella (homem solteiro/solteirona, em italiano)

Scapolo significa homem solteiro, bon vivant, e sua conotação é neutra: apenas um adulto não casado. Já a versão feminina do termo, zitella, deveria significar o mesmo, mas sua conotação é negativa – correspondente ao termo solteirona em português.

Zorro/ zorra (raposa, em espanhol)

Além de significar o animal raposa, zorro também é utilizado para definir uma pessoa como astuta. Já a versão feminina zorra significa prostituta.

Schlampe/Schlamper (puta/desorganizado, em alemão)
A palavra feminina schlampe significa prostituta. Já a versão masculina, schlamper, se refere a alguém que é desorganizado.

Veja também cinco propagandas dos anos 1950 com machismo, que ainda hoje, em 2019, estão presentes no imaginário das pessoas:

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