(por Gabriela Rassy) – Dilma Roussef parece ser o alvo preferido dos que querem atacar o governo Lula. Primeiro, o escândalo do dossiê sobre as contas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, supostamente feito a pedido da ministra da Casa Civil, e que acabou em nada.

Na semana passada, a ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Denise de Abreu, levantou a suspeita de que Dilma teria atuado na compra da Variglog por uma empresa estrangeira. Resultado? Denise depôs no Senado e na hora de acusar a ministra, preferiu ‘supor’ a ‘afirmar’ a participação dela na venda.

Mesmo depois de tantos ataques, o presidente Lula começou a se posicionar fortemente a favor da integridade da ministra.E não é difícil adivinhar porque. Hoje, como chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff é um dos nomes mais cotados para representar o PT nas eleições presidenciais de 2010. Mas seria Dilma a candidata ideal?

Para o cientista político e professor da GV e da PUC, Cláudio Couto, apesar de o governo tê-la apresentado com candidata, a ministra não é uma candidata forte. "Ela não tem carisma e a população não tem conhecimento do trabalho, da história dela", disse ele ao Virgula.

A professora de História Contemporânea da USP, Maria Aparecida de Aquino, acredita que a competência de Dilma é inquestionável, porém, concorda que ela não seja um nome popular. "O ponto que talvez seja contra é que ela não é um nome conhecido, é um nome de bastidores. Mas nada que sua competência não resolva".

A respeito da constante defesa de Lula, mesmo com as freqüentes acusações, Couto afirma que é um posicionamento compreensível. "Ela é a principal ministra do governo dele. Além disso, as denúncias contra ela são inconsistentes e fracas no que se refere à postura dela", conclui.

Com tantas acusações, primeiro a respeito do dossiê e agora sobre a venda da Varig, Dilma pode ter a imagem abalada. Diferente de Lula, que tem atributos como a história, o carisma e a militância e índices de popularidade pouco abalados mesmo com escândalos em seu governo, a ministra pode não resistir aos constantes ataques. Mas para o cientista, ainda falta substância. "Creio que as denuncias não são fortes a ponto de solapar a imagem dela", disse o professor.

Segundo Maria Aparecida de Aquino, o fato de Lula ter se mantido inabalável aos escândalos se deve por uma simples razão: “Contra mitos, você não tem o que comparar”.
Para a professora, Dilma provou que consegue ser rápida na resolução de problemas e que tem capacidade de lidar com situações adversas, mas que nem ela nem ninguém são comparáveis ao atual presidente. "Não se pode pensar que uma pessoa chegue perto disso, e eu não digo só a Dilma, mas qualquer candidato".

Contudo, a historiadora da USP afirma que, hoje, há espaço para mulheres fortes, como a ministra. "Como essa figura de mulher forte, ela vai conseguir penetrar na população". É esperar pra ver.

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