Wesal Sheikh Khalil, 14 anos, já havia até planejado o próprio funeral

O relato da mãe de uma das vítimas do massacre em Gaza é de emocionar. “Ela preferia morrer do que ter essa vida. Toda vez que ela ia para os protestos, ela pedia para se tornar um mártir”, contou Reem Abu Irmana sobre a filha de 14 anos Wesal Sheikh Khalil, uma das mais de 60 pessoas mortas em um ataque das forças israelitas. Wesal já havia até planejado o próprio funeral, segundo publicou o The Guardian.

Soldados de Israel mataram mais de 60 palestinos, e deixaram outros milhares feridos, na última segunda-feira (14) durante protestos contra a inauguração da Embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém. Foi o dia mais violento do conflito israelense-palestino desde a guerra na Faixa de Gaza de 2014. Segundo o ministro de saúde de Gaza, entre as vítimas está um bebê de oito meses. Um homem biamputado também foi morto.

O ataque de segunda-feira provocou protestos em diversas partes do mundo. “Deus ajude as pessoas que estão vivendo aqui”, disse Reem. Por mais de 10 anos, Israel e Egito têm mantido regras rígidas sobre a entrada de alimentos para moradores de Gaza, o que obriga famílias a mudarem de casa constantemente. Reem e seus sete filhos passaram a última década em um novo lugar a cada três meses, por não conseguirem pagar o aluguel. A família da adolescente morta vive em um vilarejo.

Wesal jamais deixou Gaza e foi alertada pelo irmão sobre os riscos de participar dos protestos. Segundo a mãe, o irmão disse em tom de brincadeira que “quebraria as pernas” da irmã caso ela tentasse ir. A resposta de Wesal foi a seguinte: “se eu tiver uma perna, eu vou. Se minhas duas pernas estiverem quebradas, eu vou me arrastando”.

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