Liat Malka, hoje com 40 anos, tinha um sonho que parecia cada vez mais difícil de se tornar realidade. Ela sonhava em ter filhos, mas ao fazer um teste de fertilidade em 2013, descobriu que lhe restavam poucos óvulos. Solteira, sem perspectiva de namorar ou casar, e com o relógio correndo, Liat começou a pesquisar todas as opções possíveis. E foi aí que ela se deparou com uma alternativa que muitos nem se quer considerariam.

Liat encontrou uma reportagem de 2009 na qual um casal contava que estava num processo para adquirir autorização legal para utilizar o esperma do filho, falecido a 1 ano, para realizar seu último desejo: gerar um bebê. No vídeo, Vlad e Julia Pozniansky mencionavam que já tinham encontrado a mulher que seria a mãe da criança.

Liat queria que seu filho pudesse ter uma família do lado do pai, não queria apenas um doador de esperma. Ao perceber que essa opção seria ideal para sua situação, Liat contactou os advogados do casal, e acabou descobrindo que o acordo não havia vingado, e a mulher desistiu da ideia.

Ela se encontrou com o casal, e eles lhe contaram a história de Baruch, seu filho que havia falecido de câncer em 2008, 6 anos antes. Baruch e seu advogado, Irit Rosenblum, fizeram um testamento biológico, o primeiro do tipo, dando autorização para uso de seu sêmen para reprodução. Para isso, seus pais precisavam de autorização do tribunal israelense para realizar o procedimento. Duas mulheres se candidataram, e a segunda realizou sete sessões, mas não conseguiu engravidar.

Os pais de Baruch tinha uma quantidade de esperma limitada a esse ponto, e Liat tinha uma quantidade de óvulos (e tempo) também escassa. Ao ver as fotos de Baruch, Liat sentiu uma conexão inexplicável com um homem que jamais conheceu, e os pais do jovem também sentiram o mesmo com Liat – e assim começaram o processo.

Após duas tentativas, Liat conseguiu engravidar (apesar de obter apenas um óvulo), e contou para sua família. No dia do nascimento de sua filha, dia 1 de dezembro de 2015, sua mãe e suas irmãs (uma por Skype) acompanharam o parto. Em seguida, Liat ligou para Julia e contou-lhe as novidades. Ela chamou a bebezinha de Shira.

Apesar de ter suas inseguranças sobre sua filha não ter um pai, Liat hoje entende que existe todo tipo de família, e o importante é que Shira é amada por sua mãe e por seus avós, e tem todo o apoio que pode – além de muitas fotos do pai biológico.

“Ela é tudo que você poderia desejar de uma criança”, diz Julia. “Ela é perfeita, é verdadeiramente perfeita.”

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