Você, mulher, já teve dificuldade para segurar um telefone porque era grande demais ou precisou colocar uma blusa em um ambiente com ar condicionado – enquanto os homens pareciam não ter problemas com a baixa temperatura? Isso não é por acaso.

A jornalista e ativista Caroline Criado Perez, autora do livro ‘Invisible Women’ (‘Mulheres Invisíveis’, em tradução livre) mostra que essas dificuldades diárias são uma prova de como a sociedade não é adaptada para as necessidades femininas e pior: faltam dados referentes ao assunto. Em entrevista ao Mirror, ela explica que essas falhas “geralmente não são feitas de forma maliciosa ou deliberada. Mas podem ser mortais.” Como exemplo, ela cita a indústria automobilística.

“Quando uma mulher se envolve em um acidente de carro, é 47% mais provável que ela se machuque gravemente.” E por quê? Pois a forma como mulheres normalmente sentam no banco de direção é diferente de homens, já que a média de altura é menor. “Quem produz carros diz que (essa posição) aumenta o risco de ferimentos internos e não é a ‘forma padrão’, porém, é a única forma que elas conseguem alcançar os pedais.”

Para chegar a essas conclusões, Perez passou três anos pesquisando diferentes áreas, como saúde, trabalho e escola, estudando desde o tamanho das teclas de um piano comparado com o tamanho médio das mãos de homens e mulheres, até quantas vezes autoras femininas eram citadas em livros escolares. O resultado foi chocante.

Além de quesitos práticos, como o celular não encaixar direito nas mãos das mulheres, estão outros mais perigosos, como o efeito de medicamentos nos corpos femininos. Perez relata que mulheres são comumente sub-representadas na fase de testes clínicos com humanos, fazendo com que muitos remédios não funcionem efetivamente e os resultados das pesquisas não se encaixem perfeitamente para ambos os sexo.

“É isso que quero dizer quando falo que mulheres são ‘invisíveis’. Vivemos em um mundo feito para homens”, explica. “Isso é consequência de assumir que o ponto de vista masculino é o ‘padrão’, enquanto mulheres – metade da população mundial – são apenas um nicho”.

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