"Eu quero mostrar que nós também somos belas. Nossa cultura é linda", diz a Miss

Arquivo Pessoal “Eu quero mostrar que nós também somos belas. Nossa cultura é linda”, diz a Miss

Quando Sabrina voltou para a cidade natal em Caconde, coroada como Miss São Paulo 2016, a ficha finalmente caiu. Depois de uma temporada de fotos e desfiles na capital paulista, amigos, familiares e conhecidos decidiram preparar uma grande festa para recebê-la e parabenizá-la pela vitória; todos acompanharam a trajetória de Sabrina de perto, ajudando na medida do possível e torcendo em cada etapa do concurso estadual.

Ninguém poderia imaginar que, em poucos meses, tanta coisa mudaria na vida da estudante de publicidade. Em setembro, depois de fazer alguns ensaios para a loja em que trabalhava como vendedora e outros pequenos trabalhos de moda, Sabrina foi aconselhada pelo agente a se inscrever no concurso e tentar a sorte na cidade grande. Ela estava pronta para competir com outras 30 participantes, enfim.

“Foi quando comecei a me preparar para representar minha cidade e minha cultura. Dessa vez era diferente porque o concurso envolvia mulheres de todo o estado. Eu só estava acostumada a pequenos trabalhos no interior”, lembra a miss.

As primeiras mudanças na rotina de Sabrina focaram na perda de medidas, com uma reeducação alimentar especial e exercícios físicos diários, tudo para agradar às fitas métricas dos jurados do Miss São Paulo. O sacrifício de doces e carboidratos não pesou tanto na consciência da modelo como o que ainda estava por vir. A 15 dias do embarque oficial para São Paulo, Sabrina cogitou desistir da competição.

“Eu precisava levar muitas coisas para o concurso, de roupas a sapatos. O que eu uso aqui em Caconde é praticamente o meu uniforme de trabalho, não tinha dinheiro para coisas mais sociais. A saída foi bater de porta em porta, pedindo pequenas contribuições e doações às pessoas da cidade. Consegui juntar o dinheiro que precisava e também ganhei vestidos e sapatos. Foi gratificante. Todo mundo me ajudou de algum jeito, de coração” conta.

Vitória da cultura negra

Poderosa e com um afro de fazer inveja, Sabrina era uma das únicas mulheres negras inscritas nessa edição do Miss São Paulo. Por isso mesmo, a vitória teve um brilho ainda mais especial para quem torcia por um concurso um pouco mais justo e diversificado, fora daquele padrão que insiste em reconhecer apenas mulheres brancas. Como era de se esperar, nem todos ficaram satisfeitos com a conquista de uma mulher negra.

“É claro que muita gente não gostou do resultado, também ouvi críticas ao meu desempenho, mas o valor dessa conquista conseguiu ser muito maior. É lindo pensar que uma criança negra vê isso na televisão e sente que sua cultura finalmente está sendo representada. É raro vermos misses negras, por isso fiquei tão feliz com a coroação. Eu queria mostrar que nós também somos belas, nossa cultura também é linda”, comemora Sabrina.

“Isso é representatividade”, acredita.

O trabalho de Sabrina, agora, é se preparar para a disputa nacional do Miss Brasil 2016, que coroou uma miss negra apenas em 1986. Sabrina espera seguir os mesmos passos de Deise Nunes, a primeira Miss Brasil negra, e provar às mulheres que padrões, preconceitos e paradigmas podem – e devem – ser quebrados. 

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