No meio da turbulenta cidade de São Paulo, você consegue imaginar que existe um lugar que destoa completamente do modo de vida caótico do restante da população?

Por mais incrível que pareça, este lugar existe: se chama Morada da Floresta, fica no meio do Jardim Bonfiglioli – subdistrito do agitado bairro do Butantã – , e é apenas uma das ecovilas existentes na metrópole.

Através de hábitos sustentáveis, essa comunidade busca amenizar os impactos ambientais causados pelo homem, se desprendendo de gestos destrutivos ao planeta, e adotando uma nova postura – alternativa – frente ao consumo desenfreado dos recursos naturais.

Nestas ecovilas, que surgiram na Europa, e, no início da década de 90 chegaram ao Brasil, o maior objetivo é quebrar hábitos antigos da maior parte da população, tudo isso, através de novos conceitos e visões sobre as relações humanas entre si e, também, com a natureza.

“Nossos compromissos fazem reflexão a uma questão de extrema relevância nos dias de hoje, que é a degradação do meio ambiente e o conseqüente esgotamento dos recursos naturais do planeta”, explica a diretora da Morada da Floresta, Ana Paula Silva, yogaterapeuta envolvida no projeto há três anos.

Para colocar esse conceito de preservação das fontes de vida em prática, a Morada da Floresta, que nada mais é do que uma residência ecológica, realiza uma série de atividades. Estas valem tanto para pessoas que largaram tudo e foram morar lá, ou, simplesmente, para quem quer conhecer a casa: são cursos, oficinas, palestras e mutirões que têm como temática a “integração harmônica entre o ser humano, a sociedade e a natureza”.

As construções adaptáveis das ecovilas – no caso, da Morada da Floresta – são muito originais. A casa é totalmente construída com materiais reaproveitados, armazena energia solar, produz seus próprios alimentos naturais e, quando a chuva coopera, consegue coletar água para o uso dos moradores.

Outro ponto bem interessante no modo de vida destas comunidades é que os gestos dos simpatizantes não se resumem a práticas sustentáveis e de proteção ao meio ambiente. Na Morada da Floresta, por exemplo, parte do tempo dos moradores e visitantes do local é dedicado à questões como a relação entre as pessoas.

“Além das considerações que tratam a questão da sustentabilidade no planeta, os objetivos de uma ecovila exploram também o exercício da interação social e da ecopedagogia”, complementa Ana Paula. Exemplos práticos: cursos de facilitação e resolução de conflitos e palestras sobre processo de tomadas de decisão por consenso.

Se você não conhecia as ecovilas e muito menos a Morada da Floresta, não se preocupe, pois você não é o único. “Há sim um número considerável de gente envolvida com o trabalho que desenvolvemos, mas a maior parte da população paulistana desconhece o nosso modelo de sociedade alternativa”, afirma a diretora da comunidade.

Se o modo de vida dessas pessoas lhe despertou o interesse de saber mais sobre como se pode viver em São Paulo, em meio ao caos, e mesmo assim, encontrar formas de respeitar a natureza e o próximo, fica a dica: vá à Morada da Floresta.

“Sempre disponibilizamos cursos, mutirões, palestras e oficinas, além da comercialização de produtos, sessões de cinema, encontros de apoio às gestantes, dentre outras atividades que visam conservar a sobrevivência do homem na terra, deixando uma herança positiva às gerações futuras”, finaliza.

Local: Morada da Floresta
Endereço: Rua Diogo do Couto, 47 – Jardim Bonfiglioli – São Paulo
Telefone: (11) 3735 4085
Site: www.moradadafloresta.org

OBS: Vale lembrar que para as visitas monitoradas são solicitadas, no mínimo, 5 visitantes, com o custo de R$10 para cada uma como contribuição para a comunidade. Se o visitante quiser almoçar na Morada da Floresta, com um acréscimo de R$13, será servido um almoço vegetariano preparado pelos próprios moradores, que ressaltam que os melhores dias para a visitação são de quarta e quinta, das 11h às 12:30h ou das 14h às 15:30h.

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