Depois de muita batalha para se firmar no cenário do pagode nacional, o quinteto paulistano Jeito Moleque resolveu mudar o clima no lançamento de seu mais novo disco, Cinco Elementos, gravado ao vivo em São Paulo no ano de 2009.

Neste novo álbum, depois de todo o sucesso da megaprodução Ao Vivo Na Amazônia (2008), o grupo se reencontra com a plateia de sua terra natal e faz um show mais intimista, com clima totalmente diferente: desta vez, a ideia é privilegiar a proximidade e a troca de energia com os fãs, o que certamente é a sua maior qualidade.

Com 11 anos de estrada e dando exemplo de educação ambiental para seus fãs, a banda neutraliza o carbono de todos os seus shows fazendo reflorestamento. Não é só isso: eles também apostam em parcerias em prol do meio ambiente e usam apenas material reciclado para fazer todo o seu material de divulgação, encartes e até o cenário das apresentações, virando a década à frente de muita gente que ainda não se ligou na palavra-chave dos anos 00: sustentabilidade.

“Somos a ponte entre esses problemas ecológicos e o nosso público. O tempo está passando e ninguém dá valor ao nosso planeta. Faz parte do nosso trabalho conscientizar as pessoas. Todo o material que usamos é reciclado e fazemos shows neutros em carbono, compensando o CO² dispersado nos eventos plantando árvores”, comenta Rafa, percussionista do Jeito Moleque.

Apesar de tanta preocupação, o grupo não quer soar panfletário. “A gente não força o discurso. Mesmo assim, sentimos que as ações têm muitos resultados”, continua o músico. “As fãs mandam cartas falando disso e usam papel reciclado. A gente sente que está conscientizando as pessoas, o que já é uma grande coisa.”

Falando

Falando sobre música, Rafa se orgulha tanto do novo trabalho que arrisca dizer: este é o melhor disco já lançado pela banda. Para ele, as gravações ao vivo são o trunfo dos grupos de pagode que apostam na emoção do palco sobre as comodidades de se gravar em estúdio, tendo a chance de disfarçar cada erro, contratar músicos convidados e buscar o melhor som.

“A gente funciona muito melhor no palco. Acho que o estúdio ajudaria em alguns casos, mas disco ao vivo mostra mais emoção. A nossa gratificação é essa resposta imediata do público quando estamos no palco”, explica o percussionista.

Segundo o músico, o disco reflete o amadurecimento no som do Jeito Moleque, conquistado após anos de estrada. “Nesse CD, o ambiente é mais íntimo, só com os amigos. E o repertório é uma mescla de coisas diferentes: romântico, pagode, suingue, versões mais pop, bem com a nossa cara. É a maturidade do que a gente vem trabalhando faz tempo.”

Tempo de estrada, aliás, é que fez com que os jovens talentos ganhassem o respeito até mesmo de parte da velha geração do samba, que torceu o nariz para o sucesso bombástico de seu disco de estreia (Jeito Moleque, de 2004). Formado por universitários, brancos e de classe média, o grupo passou por cima do preconceito e se estabeleceu como um dos grandes nomes do pagode atual.

Da mesma forma que taxavam de criminoso Jorge Ben Jor por causa do seu samba mestiço com rock, o Jeito Moleque teve que enfrentar o radicalismo que existe no meio do samba para dar sua cara ao som que ama desde pequeno. E, no fim das contas, está indo tudo bem demais.

“A gente conseguiu mostrar que não era um grupinho de um hit só. Esse preconceito realmente aconteceu quando a gente apareceu, mas nosso primeiro DVD teve nove músicas trabalhadas, o que é muita coisa no Brasil”, comenta Rafa. “Então, começamos a nos relacionar bem com o pessoal da antiga. Muita gente que torceu o nariz hoje vê os resultados e bate palmas. Isso é muito gratificante”, finalizou.

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