‘CNN’ da quebrada: tecnologia, arte e informação transformam periferia de Campinas

Fabiano Alcântara

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Atualizado em 10/10/2017

Quilombo Urbano

Ricardo Lima Quilombo Urbano

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Ainda nos anos 80, Chuck D, do grupo Public Enemy, definiu que “o rap era a CNN da cultura negra”. Hoje, o acesso das periferias à tecnologia mostrou não apenas que ele estava certo, mas que estas transformações iriam além até mesmo da ideia da aldeia global. Não é preciso de muito para se tornar uma versão individual de um conglomerado de mídia ou “publisher”.

Apenas munido de um celular, André da Silva Franco, o VEX, 30 anos, levanta informações, apura, escreve e edita um jornal com tiragem mensal de 10 mil exemplares e 2 mil downloads. Apenas a diagramação é feita em desktop. O #NaContramão é mais uma iniciativa destinada a mostrar a periferia sem os estereótipos de quem a olha de fora.

“A grande mídia, de uma forma ou outra, tem um papel parcial e seletivo. Por exemplo, aqui em nossa comunidade, quando acontecem coisas boas a notícia traz o nome de Jardim do Lago Continuação, quando é ruim, ainda que seja em bairros vizinhos, sai como ‘região do Oziel’. Tudo isso gera um preconceito odioso enorme sempre que somos notícia. Um jornalismo interno, feito de forma ponderada, serve justamente para rasgar este rótulo e mostrar de fato o que somos de verdade”, ressalta.

André, que estuda Ciências Sociais, é integrante do coletivo Centro Cultural Quilombo Urbano O.M.G., abreviação para Oziel, Monte Cristo e Gleba B. Coordenador do grupo,  Moslim Paulino Gonçalves, também de 30 anos, elencou outros coletivos e grupos que consideram referência: “Promotoras Legais Populares, Feconezu, Casa de Cultura Tainã, Jongo Dito Ribeiro, Urucungos, Frente de Mulheres Negras, entre outros.”

Em relação ao que faz com que os quilombos sejam importantes hoje em dia, Moslim argumenta: “Os quilombos foram uma forma de resistência negra à opressão do Estado, a sobrevivência deles nos remete a esse passado, o nosso coletivo recebe este nome porque é uma forma de resistência urbana a estas novas formas de opressão do Estado”.

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“O Monte Cristo, Parque Oziel e Gleba B, têm uma história de luta e mobilização, porém, nem sempre isso é mostrado, além disso temos hoje vários talentos em diversos aspectos que vão desde médicos e advogados até jogador de futebol, escritores, poetas, grafiteiros, rappers”, completa.

O coletivo oferece cursos de formação e promove atividades culturais e esportivas. Uma coisa que chama atenção por ali é a cultura viva e o orgulho que sentem da sua quebrada, algo raramente mostrado na mídia, onde a periferia é reduzida à miséria e crime.

A visão estereotipada passa longe da efervescência de artistas da música como Som7, Máfia Africana, e do próprio André, que autua como rapper sob o codinome de VEX PRV. No grafite, destacam-se Diogo Rodrigo Moreira, Evans, Sereia (Bruna) e Mirs. Na poesia, Fuluke, Brisa e Soneca.

São artistas independentes e, de certa maneira, empresários da indústria criativa. “Quando se mora na comunidade, todos se tornam empreendedores de uma forma ou de outra”, afirma André.

Na região que um dia foi a maior ocupação de sem-teto da América Latina, basta uma ideia na cabeça, vontade de fazer e um celular. Isso vale para qualquer lugar do mundo, esteja você em Nova York ou no Parque Oziel.

Quilombo Urbano O.M.G.

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Créditos: Ricardo Lima

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