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Focar o torcedor infantil. Esse é a palavra de ordem no Inter. Para isso, nada melhor que um fã ilustre da equipe colorada, como Thedy Corrêa, vocalista da banda gaúcha Nenhum de Nós, responsável por desenhar as histórias em quadrinhos do Colorado para as crianças, um público pouco explorado pelos clubes brasileiros.

“A gente começou a desenvolver o que costumo dizer que é o ‘universo infantil do Internacional’. Demos um suporte para o mascote, que era só o Saci, e fizemos ele ter uma abrangência maior. A gente pegou isso como âncora e desenvolveu alguns personagens como o Saci, o Escurinho, o Guerreiro Vermelho. E assim fazer um negócio que os clubes de futebol não se ligam muito que é nesse público infantil”, disse Thedy Corrêa em entrevista exclusiva ao Virgula Esporte.

“Vimos que o Inter está ganhando muita coisa nos últimos dez anos. A gente precisava ajudar que essa memória da molecada fosse uma coisa mais forte. E a linguagem dos quadrinhos é muito forte, que também pega pai. Então, a gente pensou nessa porta de entrada, por ser quadrinho algo que o moleque leva para escola, fica embaixo do braço, mostra para os colegas e isso tem um poder de estimulação muito forte”, complementou.

Para adquirir a revista, o torcedor precisa se inscrever no projeto “Sócio Coloradinho”, especial para pessoas de até 11 anos. A partir disso, a criança passa a receber os quadrinhos a cada dois meses, além de ganhar uma carterinha personalizada e ter acesso livre a setores não númerados do estádio Beira-Rio.

Mas, a “homenagem” de Corrêa e da banda para o Inter pode não parar por ai. O vocalista cogita um dia fazer uma música para o time gaúcho.

“A gente já pensou em gravar uma coisa sim. Está no canto do planejamento, nós fazermos uma música e escolher o tom certo para o Inter”, afirmou o vocalista.

Essa paixão do grupo pelo Inter não é algo que preocupa Corrêa quando o assunto são os fãs gremistas. Para ele, que possui um blog dedicado ao Colorado, as pessoas vão ao seu show por outros motivos, não o futebol.

“Eu tenho muitos fãs que são gremistas, obviamente que eu jamais fiz uma distinção com eles e jamais vou fazer, tanto que escrevo no blog é super respeitoso em relação ao Grêmio. Não gosto dos extremos dessa rivalidade, acho que quando alguém comete um equívoco, seja de que lado for, eu aponto. E penso o seguinte, sinceramente, o cara que pensa que vale a pena um dia deixar um show meu por causa de futebol, acho que nunca deveria ter ido, pois acho que gosta da banda por motivos errados”, falou.

Música

No ramo musical, uma das principais músicas do Nenhum de Nós foi uma versão da canção Starman, de David Bowie, chamada O Astronauta de Mármore. Thedy Corrêa relembra o trabalho que foi conseguir autorização para a gravação.

“Para fazer essa versão, a gente passou por um processo burocrático, digamos assim, demorado. Enviamos nossa tradução para ele, e esperamos ele dar a aprovação pessoalmente. Isso é uma coisa que a gente teve de cumprir porque ele é o David Bowie. Tanto que quando eu fui a Londres, eu conversei com a pessoa da editora, que fez tudo isso, e ela me confirmou que ele pessoalmente ouviu tudo. A gente cumpriu todos os processos, não foi feito as coisas no facão como algumas pessoas podem achar”, garantiu o vocalista.

Outro grande sucesso do grupo foi a música Camila, Camila. Ao falar da canção, o vocalista até se emociona pela ajuda que ela deu ao combate da violência contra a mulher.

“Muita gente acabou batizando as filhas de Camila por causa da música. Hoje em dia, a gente conhece muita Camila por causa disso. Tem uma questão muito interessante da música lá nos anos 80. Ela tem como foco a violência contra a mulher. A música fala disso. Recentemente, se comemorou seis anos da Lei Maria da Penha e as pessoas chamaram a gente para participar dessa comemoração pelo papel que a música cumpriu, porque o Nenhum de Nós se preocupou com isso. É uma questão que a música transcendeu a questão do sucesso para ser algo mais que é muito bacana”, finalizou.

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