O Real Madrid conseguiu “queimar todas as árvores” na Alemanha nesta terça-feira (29), transformou a vida do Bayern de Munique em um inferno ao vencer por 4 a 0 em plena Allianz Arena e com isso se garantiu na final da Liga dos Campeões da Europa pela primeira vez em 12 anos.

A conquista da ‘La Decima’, ou seja, o título de número 10 do time espanhol, ficou mais próxima graças a um primeiro tempo fulminante. Em 33 minutos foram dois gols do zagueiro Sergio Ramos e um do atacante Cristiano Ronaldo.

No último minuto do segundo tempo, o craque português voltou a encontrar as redes, em cobrança de falta, definindo o placar, e transformando o duelo decisivo em goleada a favor do Real Madrid.

Com os gols marcados, CR7 quebrou o recorde em uma mesma edição da Liga dos Campeões, considerando as diferentes eras das competição. Com 16 gols, o português deixou para trás o brasileiro naturalizado italiano Mazzola (1962/63 no Milan), e o argentino Lionel Messi (2011/12 no Barcelona), que fizeram 14.

O êxito da equipe espanhola acabou servindo de resposta a declaração de Karl-Heinz Rummenigge, presidente do conselho diretor da equipe alemã, dirigida ao elenco do Bayern. “Em Munique, vão queimar todas as árvores”, teria afirmado o dirigente, segundo a imprensa espanhola, tentando motivar os jogadores, após a derrota por 1 a 0 na ida, prometendo um “infernal” apoio dos torcedores.

Agora, o Real Madrid aguarda o vencedor da outra semifinal, entre Chelsea e Atlético de Madrid. Os dois times duelarão amanhã no estádio Stamford Bridge, em Londres, após empate em 0 a 0 na Espanha. A final da competição será no dia 24 de maio, em Lisboa, em Portugal.

O Bayern de Munique, por sua vez, encerra hoje o sonho de obter a segunda Triplíce Coroa consecutiva. Campeão alemão por antecipação, o time vermelho ainda disputará nesta temporada a final da Copa da Alemanha, contra o Borussia Dortmund.

Nas escalações, nem Josep Guardiola, nem Carlo Ancelotti apresentaram grandes surpresas. O primeiro optou por escalar Müller como um segundo atacante e fazer Lahm retornar para a lateral. O segundo teve o retorno de Bale, após o galês ser poupado da partida de ida por uma gripe.

A bola rolou com os dois times tentando expôr o que sabem fazer melhor. O Bayern, no entanto, não encaixava o toque de bola envolvente. O Real, por sua vez, aos poucos ia conseguindo agredir em velozes contra-ataques.

Até que outra arma blanca foi utilizada: a bola cruzada na área. Azar de Guardiola, que já no Barcelona via seus defensores perdidos no jogo aéreo. Aos 15 minutos, após escanteio cobrado da direita por Modric, Sergio Ramos (foto abaixo) subiu sob olhar de Dante, que ficou colado no chão, e testou para abrir o placar.

Não houve tempo para o Bayern sentir o baque do gol. Aos 19, foi a vez de Di María levantar bola em escanteio da direita, e o zagueiro espanhol se esticar todo no meio da zaga, e cabecear em direção ao fundo das redes, marcando pela segunda vez na partida.

Aos 33, o Real Madrid praticamente garantiu a classificação, com seu maior astro. Em contra-ataque fulminante, Bale serviu Cristiano Ronaldo que, com gol praticamente aberto, tocou para o fundo das redes, se tornando de maneira isolada o maior artilheiro em uma única edição da competição, com 15 gols.

Além disso, o português colocou o time espanhol no topo dos melhores ataques da fase moderna do torneio (desde a temporada 1992/1993), com 33 gols.

CR7 ficou muito perto de ampliar aos 36, quando Neuer saiu mal de gol, e a bola sobrou na esquerda de ataque. Quase da linha central, o craque bateu de primeira e por pouco não fez o quarto. Pouco depois, o Real sofreu um golpe, com cartão amarelo para Xabi Alonso, que não atuará na final por estar suspenso.

Para a segunda etapa, Guardiola mexeu no time, colocando o volante Javi Martínez no lugar do centroavante Mario Mandzukic. Curiosamente, sem o camisa 9 em campo, o time da casa passou a insistir em cruzar bolas na área do adversário.

Aos 11, após longa troca de passes na intermediária ofensiva, Lahm passou para Robben, que bateu com categoria e muito efeito de longe, mas à direita do gol defendido por Casillas.

O jogo praticamente se resumiu a um “ataque contra defesa” no decorrer da segunda etapa. O Bayern tocava incansavelmente diante de uma muralha branca, formada por pelo menos sete jogadores do Real. Diante disso, aos 26, entraram Götze e Pizarro nos lugares de Ribèry e Müller.

Minutos depois, o herói Sergio Ramos deixou o campo, substituído por Raphaël Varane, para ser aplaudido para os, aproximadamente, quatro mil torcedores do Real Madrid que estavam no estádio. Ancelotti ainda fez duas mexidas, colocando Isco na vaga de Benzema, e Casemiro no lugar de Di María.

Ainda houve tempo para o time visitante balançar as redes mais uma vez. Em falta da entrada da área, Cristiano Ronaldo cobrou rasteiro, por baixo da barreira, e deixou Neuer estático, a torcida da equipe alemã calada, e a goleada decretada.

“Maldição do campeão”

O Real Madrid, com vitória no placar agregado das semifinais por 5 a 0, ampliou a “maldição do campeão” na Liga dos Campeões da Europa, já que o Bayern de Munique é mais um a não ter sucesso na busca pelo segundo título consecutivo na competição.

Desde a temporada 1992/1993, que marca o início da era moderna da Champions, nunca um clube conseguiu o bi. O Milan esteve perto ao disputar três decisões seguidas entre 92 e 95, mas só conseguiu levantar uma taça.

Ajax e Manchester United também jogaram duas decisões, mas só foram campeões uma vez. O Bayern lutava pelo bi, mas acabou ficando pelo caminho. O Real Madrid, por sua vez, voltará a uma final após 12 anos.

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