Na arquibancada a torcida mostrou fé, abrindo faixa com os dizeres “Reis da Europa”, e no campo o Real Madrid, comandado por Cristiano Ronaldo, venceu nesta quarta-feira (23) em casa o atual campeão, Bayern de Munique, por 1 a 0, dando um passo importante para voltar à final da Liga dos Campeões após 12 anos.

O jogo no estádio Santiago Bernabéu começou com toque de bola intenso dos visitantes, mas logo o contra-ataque dos anfitriões se impôs, e aos 18 minutos Karim Benzema balançou as redes em jogada iniciada pelo camisa 7 mais famoso do mundo na atualidade.

Depois do gol marcado pelo atacante francês, o Bayern não conseguiu mais encaixar seu temido ‘tiki-taka’, enquanto o Real, apesar da solidez defensiva e do perigo levado no contra-golpe, saiu sem conseguir ampliar o placar.

Com isso, na próxima semana, a equipe espanhola jogará pelo empate, mas também avançará se perder por um gol de diferença, desde que balance as redes ao menos um uma vez.

A partida de volta acontecerá na terça-feira (29), na Allianz Arena. Em casa, a equipe de Munique levará o jogo para a prorrogação se devolver o 1 a 0. Para terminar o tempo normal classificado, o Bayern precisará bater o Real por dois gols de diferença.

Se por um lado o time bávaro tenta jogar a quarta final em cinco anos, a equipe espanhola busca quebrar jejum de 12 anos, já que, desde a temporada 2001/2002, quando bateu o Bayer Leverkusen e foi campeã, não conseguir ir à final. Nos últimos três anos, foram três eliminações nas semifinais, inclusive.

Hoje as escalações dos times foram aguardadas ansiosamente por torcedores, em especial, os do Real, que só pensavam em ver Cristiano Ronaldo e Bale em campo. O português, recuperado de lesão muscular na coxa esquerda, foi confirmado. O galês, gripado, começou no banco.

No Bayern, a expectativa era pela formação que Josep Guardiola traria a campo: com ou sem centroavante. O técnico não abriu mão de um sólido setor de meio, com Lahm, Schweinsteiger e Kroos, mas escolheu Mandzukic para comandar o ataque. Com isso, sobrou para Müller, que iniciou na reserva.

Dos brasileiros que fazem parte dos dois elencos, Rafinha e Dante, do time alemão, vieram para o gramado desde o início. Marcelo, que é titular, mas se recuperou recentemente de problema muscular, e Casemiro, sentaram no banco do Real Madrid e lá ficaram por 90 minutos.

Já nos primeiros minutos, o Bayern mostrou que não se intimidaria com o Santiago Bernabéu lotado (foto acima), e assumiu o controle do jogo, trocando passes no campo ofensivo e tentando apostar em ações nas costas dos laterais do time espanhol. Enquanto isso, os donos da casa aguardavam para dar o bote.

Aos 15, aconteceu o primeiro chute a gol, quando Robben recebeu na intermediária, girou sobre a defesa, e bateu à direita do gol de Casillas. Na sequência do lance, após escanteio, Schweinsteiger subiu sozinho e cabeceou para defesa do goleiro espanhol.

Os anfitriões se soltaram aos poucos, e se mostraram letais no contra-ataque logo na primeira chance de gol. Aos 18 minutos, em saída veloz pela esquerda, Fábio Coentrão recebeu de Cristiano Ronaldo, disparou e rolou para Benzema, que aparecia no segundo pau, só empurrar para o fundo das redes.

Menos de um minuto depois, o astro português quase ampliou, ao receber cruzamento da direita e testar para defesa de Neuer. Em novo contra-golpe, aos 22 foi a vez de Di María bater da entrada da área, e desbarrar no goleiro alemão, que mostrou segurança.

Aos 25, em posição duvidosa, CR7 recebeu lançamento de Modric na marca do pênalti, mas viveu momento de perna de pau, finalizando bem por cima do gol do Bayern. Quinze minutos depois, Di María foi quem perdeu chance clara, ao ser acionado na direita da área e arrematar de bate-pronto, também por cima.

Na etapa final, os times voltaram iguais nas escalações, mas o início foi distinto ao do primeiro tempo. Logo no primeiro minuto, Cristiano Ronaldo recebeu na direita da área e bateu cruzado, obrigando Neuer a se esticar para defender. Aos 9 veio a resposta, com Robben batendo à queima-roupa, mas parando em Casillas.

O toque de bola do Bayern, conhecido na Espanha como ‘tiki-taka’ quando praticado pela Fúria ou o Barcelona, não funcionava. Então, o time alemão apelou para o “futebol Panzer”, de vigor físico. Aos 16, Robben disparou pela zona central e bateu de fora da área, mas a bola saiu fraca e o goleiro do Real pegou. Pouco depois, a estratégia da potência ficou mais evidente, com a entrada de Martínez no lugar de Rafinha.

Ainda assim, o time espanhol levava a melhor utilizando o contra-ataque. Aos 23, CR7 recebeu na esquerda, partiu para cima da marcação e bateu no canto, mas parou na defesa de Neuer.

Faltando menos de 20 minutos, os dois técnicos mexeram no time por atacado. Götze entrou na vaga do apagado Ribèry. Já Varane substituiu Pepe, que sofreu lesão muscular na coxa esquerda. Pouco habitual foi a saída de Cristiano Ronaldo para a entrada de Bale, mas compreensível devido ao fato de o craque português ainda não estar 100% fisicamente. Por último, Müller substituiu Schweinsteiger.

A entrada do jogador considerado revelação da última Copa do Mundo deu poder ofensivo ao Bayern. Aos 35, em boa trama dos visitantes, Müller recebeu na intermediária, evitou a marcação e soltou a bomba, mas não acertou o gol.

Ancelotti fechou a equipe nos minutos finais colocando Illarramendi no lugar de Isco. Nada que impedisse o time alemão de assustar. Aos 38, Götze recebeu dentro da área e fuzilou Casillas, que, bem colocado e com reflexos em dia, fez ótima defesa.

Houve tempo ainda para um lance polêmico nos acréscimos, quando Lahm cruzou da direita, Mandzukic ajeitou e Müller, na hora da finalização de virada, foi desarmado por Xabi Alonso e caiu devido ao contato. Os jogadores do Bayern reclamaram, mas corretamente o pênalti não foi marcado.

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