O ator americano George Clooney pediu neste sábado ao governo de Barack Obama e à comunidade internacional para aumentar suas medidas de pressão ao Sudão para evitar que a disputada região petrolífera de Abyei suscite um novo conflito como o da região de Darfur.

Em um editorial publicado, neste sábado, no jornal Washington Post, e assinado junto ao ativista John Prendergast, o ator condena a “pauta de ameaças vazias” com a qual os Estados Unidos e seus aliados reagiram à violência em Abyei, situada na fronteira entre Sudão e Sudão do Sul.

A resposta sem contundência de Washington, construída a base de incentivos ao governo de Omar al-Bashir, seria “compreensível” se os abusos acontecessem pela primeira vez no Sudão, escreveu Clooney.

Mas a reação, garantiu, fica invalidada pela “impactante” lista de “maciços crimes de direitos humanos” perpetrados pelo regime sudanês tanto no sul do país como em Darfur, e por sua “inaceitável resposta” aos esforços da mediação de terceiros países.

Os Estados Unidos exigiram nesta semana a retirada das tropas sudanesas de Abyei, uma zona que, devido a complexidades tribais, ficou à margem da aplicação dos acordos de paz que o norte e o sul do Sudão assinaram em 2005.

Darfur, por sua vez, no oeste do país, encontra-se imerso em um complexo processo de paz, colocando fim à guerra que explodiu em 2003.

Clooney ressaltou no editorial, chamado “Dançando com um ditador no Sudão”, que não está a favor de uma intervenção militar, mas lembra que “os incentivos por si próprios são insuficientes” para mudar as ações de Cartum.

O ator, que visitou Abyei em janeiro, lembra a “visão surrealista” que encontrou, com “milhares de deslocados” pela longa guerra entre o norte e o sul do país. 

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