Aos 44 anos, Marina Person tem uma vasta carreira na TV. Depois de 18 anos na MTV, ela atualmente é repórter do Metrópolis na TV Cultura, apresenta um programa de entrevistas com atores no Canal Brasil chamado O Papel da Vida, projeto criado pela produtora Mira, da qual é sócia, e acaba de lançar o Marinando, feito para internet, em que ensina receitas rápidas e saudáveis.

Em entrevista exclusiva ao Virgula Famosos, a apresentadora conta de sua carreira, sobre saúde e bem-estar, sobre o seu pai – o diretor Luíz Sérgio Person -, do seu desejo de atuar e sobre Califórnia, seu primeiro longa de ficção que deve ser filmado em 2014.

Confira abaixo a entrevista exclusiva com Marina Person.

Virgula Famosos – Quando seu pai morreu você era muito jovem. O que era o seu pai para você naquela época?

Marina Person – Um monte de coisas… O que é um pai para uma criança de sete anos? O que eu me lembro dele é que ele era um cara com muita energia, que gostava muito de brincar, que levava a gente para qualquer lugar… Eu lembro de fazer muitas coisas das quais hoje os pais protegem seus filhos.

Você chegou a acompanhá-lo em algum set de filmagem?

Não, só no teatro. Na verdade, tem foto minha no set de Cassy Jones, o Magnífico Sedutor (1972), mas eu era muito pequena, nem lembro. Só lembro do teatro mesmo, que eu era um pouco mais velha. Eu tenho uma memória, lembro de ver as peças, os ensaios. Lembro da moviola (equipamento análogico para montar filmes) também.

Quando você descobriu a importância do cinema do seu pai?

Acho que só na faculdade mesmo, porque até então eu não tinha noção do que a minha família e os amigos falavam e do que tinha uma relevância mesmo. E na ECA (Escola de Com,uniação e Artes, da USP), eu entendi, pelas aulas dos professores… E tem coisa que eu descubro ainda hoje, ao ler algo que alguém escreveu. São obras que permitem várias leituras, inclusive mais recentes.

 

Ele tem uma influência grande em seu trabalho?

Sim, sempre vai ter. É uma coisa de inspiração, assim como outras obras me inspiram, mas tem coisas que permanecem. Do meu pai, tem uma coisa que eu tenho para mim que é essa energia do recomeçar, de não ter medo de recomeçar uma coisa do zero.

Você trabalhou durante 18 anos na MTV Brasil, que foi o maior canal de música e conteúdo jovem do país e hoje passa por uma crise de audiência e identidade agravada pela internet. Qual você acha que é o caminho para as produções audiovisuais na era virtual?

Eu acho que o caminho é estar sempre atento porque não há como prever, não há como fazer um prognóstico do que as pessoas vão querer ver. E independente da área, do meio que você escolher, o conteúdo tem que ser de qualidade, tem que colocar a sua alma ali. É o que nós fazemos com a produtora. Eu acho que o segredo é esse: fazer uma coisa que a gente gostaria de assistir e ficar sempre atento ao que está acontecendo. A série que estamos fazendo para a TV Cultura, por exemplo, Quero Ter um Milhão de Amigos, é sobre nerds que vivem no mundo virtual.

Na MTV, você falava com público jovem. Você teve alguma dificuldade ao mudar para a TV Cultura?

Para falar a verdade, eu não sinto tanta diferença, porque eu não mudei. Eu até achei que talvez eu pudesse não me adaptar, mas não foi assim. E a Cultura me contratou porque eles gostavam do meu trabalho como era. E, hoje em dia, eu estou em um programa que eu me sinto bem à vontade, que é o Metrópolis. E tem coisas das quais eu não falaria na MTV que são legais, como música erudita, literatura, jazz.

Como surgiu a ideia do Marinando?

Surgiu em uma viagem de trabalho. Nós fomos gravar o Papel da Vida no Rio e ficamos na casa da Carmem Maia, uma das sócias da produtora. Eu tenho essa coisa de todo dia eu faço um suco de manhã. E nesse dia eu fiz um suco de abacaxi com beterraba, que até já foi para o ar, e a Carmem falou: “Gente, que suco lindo… Vamos abrir um restaurante só com essas comidinhas que você faz, esses sucos…”. A gente ficou viajando nessa ideia e os meninos da produtora disseram: “Vamos fazer um programa para internet com você ensinando fazer essas coisas”. A nossa regra é fazer sempre coisas rápidas, fáceis, gostosas e saudáveis.

Você é totalmente saudável ou dá umas escapadas?

No meu dia a dia eu dou preferência a uma comida mais leve, mais natural, mas eu adoro comer. Eu não sou muito fã de comida trash, mas tem algumas coisas que eu gosto como pastel de feira, hambúrguer… Eu enfio o pé na jaca, às vezes, mas no dia a dia sou bem “marinando” mesmo…

Além da alimentação, existe outra coisa que você faz para cuidar da saúde?

Eu durmo, durmo muito, oito, nove horas por dia. Recomendo. Toda semana acontece de eu dormir menos, mas a minha regra é dormir oito horas. Eu também faço ioga e tal, mas eu não sou muito disciplinada. Eu estou fazendo natação, mas tem três semanas que eu não vou; faço ioga, mas tem um mês que eu não vou; faço pilates, mas tem duas semanas que eu não vou… Eu estou assim, entendeu… (risos). Eu não sou muito disciplinada mas eu estou sempre me mexendo.

Você tem medo de envelhecer?

Todo mundo tem, mas não é só aparência. É uma coisa de bem estar geral, ter fôlego para fazer as coisas, ter pique. Entretanto, eu não estou em uma idade ainda que dói tudo, a articulação. Estou me sentindo bem. Hoje, eu me olho e vejo que eu não tenho mais 25, 30 anos, mas as coisas acontecem devagar e não tem o que fazer… Tem plástica, que eu não pretendo fazer e parar de trabalhar, que eu também não pretendo.

Você pensa em ter filhos?

Eu penso, vamos ver, se rolar está ótimo, se não, tudo bem. E eu tenho uma enteada que fica com a gente bastante. Então nós temos muita convivência, de escola infantil, ela é minha companheira…

Você apresenta um programa no Canal Brasil chamado O Papel da Vida, em que entrevista atores sobre a personagem mais marcante de suas carreiras; e você já atuou também. Qual o papel da sua vida?

Eu acho que meu papel da vida ainda está por vir. Eu gosto muito de atuar, mas minha carreira de apresentadora acaba se sobrepondo muito. Então as pessoas não me veem como atriz, mas eu gosto muito de atuar. Gostaria de fazer mais, pode me chamar que eu vou.

Você gostaria de fazer o quê?

Eu gostaria de fazer teatro, eu fiz um curso no ano passado com o Antunes Filho no CPTZINHO e fiquei com muita vontade de atuar. Ainda mais fazendo o Papel da Vida, os atores falam do teatro com muito carinho.

Você lançou em 1996 um curta chamado O Almoço Executivo, em 2007 um documentário sobre seu pai, chamado Person, e agora se prepara para filmar o primeiro longa de ficção. Você sente alguma pressão por ser filha de Luíz Sérgio Person? 

Não, acho que não tem muito isso não. Eu acho que se você perguntar para qualquer filho de cineasta, eu acho que as pessoas não sentem muito isso.

Como foi fazer um documentário sobre seu pai, que é um assunto tão pessoal?

Foi superimportante. Para mim serviu como espécie de descoberta, de ir atrás de histórias, mexer em pontos sensíveis, conversar com minha mãe, minha irmã. E também artisticamente foi muito bom.

Como é o longa de ficção que você está preparando?

Vai se chamar Califórnia e é uma história de adolescentes, passada em São Paulo, na década de 80. É uma menina, do começo da adolescência até as primeiras descobertas sexuais e tal. Eu devo começar a filmar no ano que vêm.

E quais são suas referências cinematográficas atuais?

Eu gosto muito do Wes Anderson, Quentin Tarantino, Francis Ford Coppola, Sofia Coppola, Wong Kar-wai, Steven Soderbergh, irmãos Coen, George Clooney, Kathryn Bigelow, Alexander Sokurov… Enfim, essa pergunta é sempre difícil porque eu não consigo lembrar de todo mundo.

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