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Foi anunciado, nesta semana, o fim da banda Rebeldes com uma última turnê pelo país. O sexteto já levou milhares de jovens aos seus shows em todo o Brasil. Boatos há poucos dias diziam que alguns integrantes tinham brigado, mas que foi rapidamente desmentido. Não se sabe o real motido do por que do fim. Tendo a duração de pouco mais de um ano, contando com o final da turnê prevista para dezembro de 2012, abre-se uma discussão: Bandas pop teen têm prazo de validade?

O início

Desde os idos de 1960 e 1970, com Monkees, Temptations, Earth, Wind and Fire e Jackson 5, para citar poucos mas importantes nomes, podemos alcunhar estes conjuntos musicais como “boy bands”, unicamente pelo motivo de serem formadas apenas por rapazes e tocarem canções pop. E, também de forma genérica, atingiam um público pré ou recém-adolescente que gosta de consumir, sejam meninos ou meninas. Os termos boy band e bandas pop teen se confundem desde então.

Assim, com a demanda de maiores números de vendagem e sucesso imediato feitos pela indústria musical para tais bandas, a preocupação com a técnica e a qualidade criativa e sonora foi ficando para trás – o que nos leva aos anos 1980.

Grupo de muito sucesso, o New Edition é considerado o precursor das “boy bands” que apareceram naquela década. Ainda com um pensamento pop setentista, e uma estética bem trabalhada, o grupo praticamente criou o estilo de seus sucessores, que infeliz e geralmente não se preocupavam tanto com a qualidade musical como esses rapazes de Boston.

E então veio o Menudo

Frenesi, loucura, caos, destruição, tragédia, desgosto, danças e roupas são os elementos para descrever esses rapazes de Porto Rico que conquistaram fama internacional. Com a reformulação do grupo sendo sempre mal-vista pela sua base de fãs, a banda foi definhando. Mas deixou um legado: a produção ininterrupta de bandas pop que não paravam de explodir mundialmente e desaparecer em poucos anos, e até meses. Ricky Martin saiu do barco Menudo e comprou seu iate anos depois.

Roy do Menudo entrevistou, em 2009, AJ McLean do Backstreet Boys no site Uol e, ao perguntar se a banda americana teve influência do grupo porto-riquenho, ele disse: “Não. Ouvíamos artistas de outro gênero, na maioria grupos vocais como Boyz II Men. Essas bandas que trabalham as harmonias vocais são as nossas preferidas desde o começo. Eram os caras que tinham a ver com o que fazemos. Nossa imagem é associada ao Menudo e ao New Kids on the Block, mas não era o que procuravámos. Nunca foi nossa intenção ser como esses grupos”. Ao negar o fato, AJ revela o quanto os Menudos os influenciaram em algum sentido, na tentativa de fazer algo diferente do que estava sendo feito dentro do conceito de banda pop teen.

Nos 1990, Backstreet Boys obtiveram sucesso mundial. Com eles, vieram Westlife, ‘N Sync, Boyz II Men, Five, Boyzone… todos de vida relativamente curta na mídia, se comparados a grandes nomes que atingiram – na mesma época – as mesmas posições nas paradas mundiais, indiferentemente do estilo, como Rolling Stones, Michael Jackson, Madonna, Cher.

Porém, apesar de tudo, ainda há uma luz nas trevas em que ficaram as boy bands. O Backstreet Boys, antecedidos pelo New Kids on the Block, ainda faz turnês mundiais com números respeitáveis, até lotando estádios no Brasil como o Morumbi e o Maracanã. E, hoje, o One Direction é a nova boy band de respaldo internacional.

Por aqui

O já citado Menudo foi febre no Brasil, e no seu espólio criou-se uma ferveção cultural adolescente, sempre passageira, de grupos musicais, fomentado pelos calores internacionais.

Indo para o rock ou não, como o Polegar, Dominó ou Br’oz, grupos que alcançaram sucesso imediato, tocando nas rádios, nas televisões, em grandes eventos, foram capas de revistas, inevitavelmente acabaram sumindo da grande mídia. Poucos sobreviveram. Exemplos de sucesso, podemos citar o CPM 22, o NxZero e o Fresno, já mais consolidados – porém, a chamada “geração colorida”, de Cine, Hori, Rancore, CW7 e outras do gênero, já está sufocada por novas manias.

Restart ainda respira, mas com ajuda de aparelhos. Este ano surgiu a notícia que se faria um filme sobre a história da banda, mas logo o projeto foi cancelado. Em tempo, em seu último álbum, buscaram resumir o gosto da Geração Z (inclusive dando este nome ao último CD), que é como a atual safra de jovens é chamada, por sua exaustiva conexão ao mundo virtual, estilo de vida de pouco aprofundamento intelectual e do tudo ao mesmo tempo agora.

Ao que parece, as boy bands nascem com uma data de validade. Basta o fã crescer que a popularidade cai.  E como os jovens só veem o novo, precisam consumir o que é a novidade do momento. Revivals veremos, mas de poucos nomes. Agora, com adolescentes, apesar de infantilizados, cada vez crescendo mais rapido e trocando de manias, com mais acesso à informação e um gosto mais pluralizado, será que a próxima banda teen pop durará 3 meses?

Veja as boys band na galeria acima.

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