Uma foto de Samara Felippo de biquíni causou uma grande repercussão no Instagram e a atriz decidiu compartilhar nos Stories como ainda é difícil se aceitar: “me odiei a vida inteira”.

Na quarta-feira (3), Samara publicou uma foto na piscina e a legendou com um texto de Mariana Bandarra sobre  o ódio contra a barriga. “A guerra contra a barriga é antes de tudo uma guerra contra o ser mulher”, escreveu na legenda. “Amar a barriga é transgressor. É um ato revolucionário de cura.”

 

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“A barriga é proibida. Perseguida. Alvo de artilharia e de armas químicas. A guerra contra a barriga é antes de tudo uma guerra contra o ser mulher. Qualquer que seja sua forma ou tamanho, é na barriga das mulheres que nasce a vida, o riso, a criação. Amar a barriga é transgressor. É um ato revolucionário de cura. Dentro e fora do padrão, somos ensinadas desde cedo a ocuparmos o mínimo possível de espaço. Meu lugar no mundo é este aqui: pontuado pelo escuro do meu umbigo. Cobrir e esconder o volume que o meu corpo ocupa não reduz meu tamanho no espaço. É o corpo que delimita a parte que me cabe, ínfima e imensurável. A barriga é luminosa. Sou uma mulher mas sou também muitas. A barriga lembra. Trespassada pelo plexo solar, ela catalisa o poder pessoal, a consciência visceral. Dela vem uma força ancestral de movimento e de vitalidade pura, selvagem. A barriga é inteligente e também sensível. A barriga quer ser amada. É na barriga que a intuição me agarra, que o friozinho do desejo verdadeiro me estremece. É dentro dela que aquilo que me nutre borbulha lentamente para alimentar minhas criações. A barriga é uma usina de transformação. Um portal entre o imaterial e o material. Mais do que permitida, a partir deste momento eu declaro que a barriga é sagrada. Ungida com óleo e carícias, nutrida de sementes e calor. Uma vez, quando eu era criança e não tinha medo de pedir o que eu queria, um homem perguntou se eu tinha o rei na barriga. Quando lembro dele me dá vontade de voltar pra corrigir: rei não. Restaurada sua glória inequívoca, a barriga retoma seu trono. Aqui. Esta barriga é minha. Dentro dela, uma rainha. A barriga é revolucionária.” . . Texto maravilhoso de @maribandarra Olhei essa foto, por segundos eu me odiei e logo veio esse texto na minha mente! Obrigada Mari. Faço minhas as suas palavras!!!🙌🏻 Que bom poder dividir com vcs, espero que inspire🌹 E que fique claro, eu ainda tenho plena consciência do “padrão” que ocupo. E chega de opressão e de vergonha com qualquer parte do nosso corpo! Mulheres: Vamos nos amar porra!!!! Aah esqueci 📷 da minha maravilhosa Alícia❤️ #feminismo #empoderamentofeminino #sagradofeminino #minhabarrigaéopoder

Uma publicação compartilhada por Samara Felippo (@sfelippo) em

As palavras impactaram principalmente as seguidoras, que agradeceram pelo texto. Surpresa com o efeito da publicação, a atriz revelou nos Stories não ter gostado da imagem, “eu pedi para tirarem uma foto minha na piscina, que foi aquela que eu postei, justamente para tentar lutar cada vez mais pelo meu empoderamento. Quando olhei a foto eu odiei de uma tal forma que vocês mulheres sabem.”

Samara deixou claro que sabe seu lugar de fala e está “completamente no padrão aceitável pela sociedade. Mulheres que sofrem gordofobia sabem que o buraco é mais embaixo”, mas desabafou: “é tão libertador, tão louco saber que a gente se odeia, sabe? A gente passa anos da nossa vida se odiando.”

Ela surpreendeu os seguidores ao revelar que também divide a dor de não conseguir aceitar o próprio corpo, mas está no caminho para se amar. “Eu, que estou completamente dentro (do padrão), me odiei a vida inteira, fiz dieta, tomei remédios. Até hoje eu ainda luto contra essa sociedade que faz a gente achar que a gente é horrível porque a gente é como é”.

“Se ame, já tem tanta gente que quer te odiar, te botar pra baixo, imagina você ser mais uma dessas pessoas. Não, mulherada”, defendeu a atriz.

A foto que originou esta conversa recebeu o apoio de muitas mulheres, inclusive de Juliana Paes, que comentou: “lindo, Sa! Nosso corpo é mesmo esse templo de nossas batalhas… E conquistas! Amei!” Fernanda Rodrigues lembrou: “delas (barrigas) vieram nossos grandes amores”.

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