Paul Mockapetris, um dos considerados “pais” da internet, destacou a necessidade de manter um equilíbrio entre a privacidade e a liberdade na rede e assegurou que “a maioria de cabos do Wikileaks não deveria ter sido divulgada”.

Segundo o inventor do Domain Name System (DNS) – que distribuiu a rede em domínios tão utilizados como o “.com” -, o desafio que deve ser enfrentado a partir de agora internet é a busca de um equilíbrio entre a privacidade dos cidadãos, que deve ser protegida pelos governos, e a transparência.

Por isso, o cientista da computação, que participou do Fórum Impulsiona 2014 desenvolvido em Gerona (nordeste da Espanha), ressaltou que “a maior parte da informação que o Wikileaks revelou não poderia ter sido divulgada”, em um mês em que o fundador dessa organização, Julian Assange, completa dois anos asilado na embaixada do Equador em Londres.

“A organização Wikileaks tinha suas disputas internas, a maioria da informação não deveria ter sido divulgada. O conhecimento é poder, o povo tem o direito de saber, mas devemos proteger sua privacidade”, disse Mockapetris em entrevista à Efe.

O americano também sustentou que uma das motivações que o levou a desenvolver o sistema DNS foi distribuir o controle da rede de forma mais horizontal para ceder o poder aos cidadãos, e que a internet foi capaz de superar as fronteiras governamentais.

“Alguns diziam – comentou – que precisava haver um nome para cada país, porque eles eram os que deviam controlá-lo. Não sei exatamente por que o “.com”, mas minha ideia era que nem tudo precisava que estar organizado dentro das fronteiras, e isso estou muito contente que tenha dado certo”.

Mockapetris projetou em 1983 o conjunto de ponto e três letras que revolucionou o modo de entender a internet. Atualmente, o cientista trabalha para desenvolver uma nova geração de sistemas de identidade na rede desde a empresa Nominum, cuja presidência combina com a docência universitária.

O fundador do sistema DNS rejeitou que medidas para proibir o alcance da internet e das redes sociais em certos países, como aconteceu recentemente na Turquia com a rede social Twitter, tenham funcionado. “Há uma grande variedade de leis, e nenhuma delas é boa, para mim”, comentou.

“A revolução está acontecendo enquanto falamos, aparecem milhares de nomes nas redes neste momento”, insistiu Mockapetris, que acha difícil prever para onde se dirigem as inovações na Internet.

Ele criou um mecanismo que deu forma à rede, mas assegurou que essa organização deve ser restabelecida pelas novas gerações. Porque, ressaltou, “as invenções não são mais que receitas, nas quais o povo tira e acrescenta ingredientes”. 

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