“Quero um estúdio gigantesco. Muitos canais. Várias plataformas”. As aspas parecem vir de um executivo de alguma empresa de mídia, mas não é esse o caso. Elas vêm de um jovem de 19 anos chamado Pedro Afonso, conhecido na internet como RezendeEvil. Se a idade e o jeitão moleque o afastam de qualquer estereótipo de um empreendedor, seus números fazem inveja para qualquer grande marca já estabelecida no mercado. No YouTube, são 5,6 milhões de inscritos em seu canal, que já contabiliza 1,8 bilhões de visualizações desde sua fundação em fevereiro de 2012. Além de outras redes sociais onde soma mais fãs, como Twitter – 1 milhão – e Instagram – 700 mil.

Antes do YouTube, Pedro tinha outra visão para o seu futuro: o futebol. “Eu treinava muito. Era meu foco. O canal até o começo foi hobby”, explicou o youtuber, que chegou a jogar futsal profissionalmente na Itália. E foi justamente o crescimento do canal que o fez abandonar as quadras e se dedicar aos vídeos, na sua maioria sobre o jogo Minecraft, que é um fenômeno entre crianças.

“Quando fui para a Itália para jogar mesmo, tiveram muitas coisas que não curti muito. Fiz a temporada lá, voltei pro Brasil e falei ‘não quero mais voltar pra lá’. Foi aí que peguei o canal a sério”, disse. Na época, RezendeEvil contava com 300 mil inscritos.

RezendeEvil esteve no Virgula e bateu um papo com a gente. (crédito: Eduardo Palacio/Virgula)

RezendeEvil esteve no Virgula e bateu um papo com a gente. (crédito: Eduardo Palacio/Virgula)

E o quartel-general desta empresa fica em Londrina, no Paraná. Mais precisamente no quarto de Pedro, onde vira noites para produzir três ou quatro vídeos diários, principalmente nesta fase de sucesso em que precisa adiantar a produção de conteúdo em função de viagens para eventos.

Rezende mostra muita maturidade e tem visão empreendedora quando fala do seu canal, almejando o crescimento na produção de conteúdo para diversos segmentos quando questionado “onde se vê em dez anos”. “Quero um estúdio gigantesco e produzir coisas não só para o público infantil. Quero ter vários canais. Um canal para público mais velho, um para infantil, um para educação. Talvez eu nem precise estar nesse canal. Muitos canais. Várias plataformas”, explicou. Parte desta ambição de crescimento já veio em forma de livro. Lançado pela editora Objetiva, Dois mundos, um herói: Uma aventura não oficial de Minecraft é uma narrativa fantástica idealizada pelo youtuber dentro do game.

“Gosto”. A resposta é direta quando a pergunta é sobre o sucesso. Se falamos sobre a possibilidade desta fama ser passageira, a reação é igualmente honesta. “Claro. Todo mundo tem [medo]. Deve estranho chegar num ponto alto e chegar daqui um ou dois anos ninguém te reconhecer, postar um vídeo e ninguém assistir. Deve ser estranho. Espero que nunca aconteça”.

Haters e o ódio da internet
Ser xingado na internet é quase uma certeza para quem se expõe. E com a fama, também vem o ódio digitado com fúria nos comentários aliado ao anonimato dos avatares de redes sociais. Pedro afirmou que foi difícil lidar com as críticas e principalmente as ofensas gratuitas no começo.

“Foi uma época bem complicada. Meu canal foi muito alvo de hater. Principalmente porque meu público é formado por crianças. Garoto de 14 e 15 anos acha que é adulto e criança e não pode assistir YouTube. Tinha muito comentário falando mal”, disse, lembrando inclusive que já foi chamado de “Xuxa Evil” por ter um público infantil na plataforma.

Embora hoje consiga rir dessa perseguição, houve uma época em que isso lhe causou sofrimento. “Eu ficava mal mesmo. Muito mal. Os caras conseguiam me colocar para baixo. Eu procurei uma galera que já tinha passado por isso. Youtubers grandes. Eles falaram para eu relaxar. Comecei a nem dar bola. O cara faz isso porque não tem nada pra fazer. Tem aquela crítica construtiva, mas é diferente ele chegar e falar ‘você é um lixo’. Hoje nem ligo mais. Tem que saber diferenciar”, contou.

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