O ex-técnico da CIA,
Edward Snowden, recorreu à Nicarágua, pequeno país da América
Central, para deixar o aeroporto de Moscou, onde já está há 15
dias, representando uma ameaça às relações entre Rússia e
Estados Unidos.

A embaixada da
Nicarágua em Moscou confirmou nesta segunda-feira que recebeu a
solicitação de Snowden, a quem o presidente do país, Daniel
Ortega, já havia oferecido asilo político.

“Sim, recebemos a
solicitação”, afirmou à agência oficial “RIA Novosti”
uma porta-voz da legação da Nicarágua, um dos três países que,
assim como Venezuela e Bolívia, se mostraram dispostos a acolher o
americano.

Quanto ao restante do
processo, os diplomatas do país na capital russa preferiram manter
sigilo.

Ortega confirmou no dia
5 de julho que havia recebido o pedido de asilo de Snowden e
acrescentou que receberia “com todo gosto” o jovem
reclamado pela Justiça americana, “se as circunstâncias
permitissem”.

O presidente da
Nicarágua fez esse anúncio horas depois de o presidente da
Venezuela, Nicolás Maduro, oferecer “asilo humanitário” a
Snowden, após retornar de uma visita de dois dias à Moscou.

Segundo a imprensa
nicaraguense informou durante o último fim de semana, Snowden enviou
uma carta em espanhol à embaixada em Moscou sobre o risco de ser
julgado “após ter tornado públicas as graves violações da
Constituição e de alguns tratados das Nações Unidas por parte do
governo dos EUA”.

“Dadas as atuais
circunstâncias, não parece possível que eu receba um julgamento
justo ou um tratamento apropriado antes do meu processo, e existe a
possibilidade de que eu seja condenado à prisão perpétua ou até à
morte”, ressaltou na carta.

O presidente da
Bolívia, Evo Morales, também se ofereceu para receber Snowden
depois do escândalo diplomático no qual se viu envolvido na Europa
devido às suspeitas que o ex-técnico da CIA estivesse a bordo de
seu avião enquanto voltava de Moscou para La Paz.

Enquanto Moscou parece
impaciente para que o americano deixe a Rússia, ainda mais depois
que o jornal “Kommersant” informou hoje sobre um possível
cancelamento da visita do presidente dos EUA, Barack Obama, à Rússia
em setembro se Snowden permanecer no aeroporto da capital.

Segundo a publicação,
uma fonte próxima ao Departamento de Estado americano afirmou que
esta postura da Casa Branca foi comunicada ao Kremlin por “canais
diplomáticos”.

A mesma fonte
acrescentou que não se descarta que o vice-presidente dos EUA, Joe
Biden, substitua Obama na cúpula do G20 que será realizada nos dias
5 e 6 de setembro em São Petersburgo.

“No Kremlin não
se sabe nada disso. A situação é absolutamente transparente: a
Rússia não tem culpa de que Snowden não possa abandonar a área de
passagem do aeroporto de Moscou”, disse Dmitri Peskov, porta-voz
do Kremlin.

Snowden, que está no
aeroporto de Sheremetievo desde o dia 23 de junho, é reclamado pelos
EUA por espionagem, e chegou a pedir asilo para outros países como
Cuba e Brasil, segundo o site Wikileaks.

O presidente de Cuba,
Raúl Castro, defendeu ontem o direito dos países latino-americanos
de conceder asilo a Snowden, e criticou que a atenção sobre este
caso esteja concentrada na “perseguição” do jovem e não
nos sistemas de “espionagem global” dos EUA.

O homem que tornou
públicos os esquemas americanos de espionagem em massa das
comunicações telefônicas e via internet não possui passaporte,
documento invalidado por seu país de origem, mas que seria válido
como salvo-conduto até chegar a seu destino.

Contudo, a imprensa
considera que, após o incidente com o avião de Morales, será muito
difícil que o país que vá dar asilo a Snowden encontre uma rota
fora do alcance de Washington, embora Obama tenha prometido não
recorrer a caças para deter aviões com o ex-técnico da CIA a
bordo.

O resto dos países
europeus e asiáticos rejeitou a possibilidade de acolher o
americano, enquanto a Rússia impôs o fim do vazamento de
informações secretas dos EUA como condição para recebê-lo.

Segundo a imprensa,
Snowden garantiu que não fornecerá as informações privilegiadas e
codificadas das quais dispõe em troca de asilo político, mas
Washington insiste em pedir sua extradição.  

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