Nos IX Jogos Sul-Americanos, disputados em Medellín, na Colômbia, a equipe de tênis de mesa dominou o torneio e ganhou quatro medalhas de ouro, três de prata e duas de bronze.

Participando pela quarta vez dos jogos, o experiente Hugo Hoyama disse ao Virgula que apesar dos desfalques de Thiago Monteiro e Cazuo Matsumoto, a equipe  fez um ótimo trabalho.

“De sete medalhas de ouro disputadas ganhamos quatro. E com os bons resultados sempre aparecem os incentivos. Na verdade, os incentivos vieram mesmo com o Pan de 2007, eu me tornando o recordista, dessa forma cresceu o número de investimento e de praticantes no esporte”, disse.

O Presidente da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa também fez um balanço positivo dos resultados obtidos pela equipe brasileira e afirma que não há distinção entre masculino e feminino, em se tratando de incentivos. “A participação brasileira foi importante nesses jogos. São resultados assim que influenciam no crescimento desse esporte. Nós últimos anos já tem havido um crescimento de 10 a 15% ao ano de adeptos. Hoje são mais de 20 mil filiados e 24 milhões de pessoas que praticam ping-pong por lazer.”

Além de exaltar as conquistas brasileiras no Sul-Americano, Hugo Oyama falou sobre o tenis de mesa feminino e qualidade do treinamento.

Virgula – Assim como em outros esportes, o tênis de mesa feminino é menos valorizado que o masculino?

Hugo Hoyama – O tênis de mesa feminino é mais dificil também, até por causa da questão de viver do esporte e da falta de incentivo. Entre as mulheres é mais comum que elas decidam fazer uma faculdade e acabam deixando o esporte profissionalmente. Mas de qualquer forma, hoje em dia, temos mais atletas viajando para a Europa e correndo atrás.

V – Como está o Brasil em relação aos patrocínios?

HH – O Brasil ainda carece bastante de patrocínio. Mas eu creio que quando se aproximar das Olimpíadas, o governo vai investir ainda mais. E nem precisa chegar as competições aqui no Brasil, como Copa ou Olimpíadas, as de Londres já abrem mais portas para investimento de recursos. Já na Europa e na Ásia o incentivo é bem maior, em um nível profissional. Aqui na América é ruim, nos outros países da América do Sul é ainda pior que no Brasil. Por aqui, o Brasil serve de exemplo.

V – É comum muitos atletas desistirem por causa disso?

HH – Muitos atletas acabam desistindo por causa da falta de incentivo. Não que a pessoa fique desmotivada, mas o esporte acaba se tornando um hobby e a pessoa vai estudar, fazer faculdade pra poder se sustentar. Enquanto se está na categoria juvenil ainda tem os pais que sustentam, mas depois alguns vão desistindo. Mas não só o governo deveria apoiar,  as empresas também deveriam e não só quando o atleta obtem resultado bom, pois esses resultados dependem de um investimento a longo prazo.

V – Como foi no seu caso?

HH – Sempre quis fazer desse esporte a minha profissão. Com oito anos eu já treinava firme…em competições paulistas é claro. Mas eu sempre treinei para ser profissional.

V – Quem você apontaria como seu sucessor?

HH – Fica até difícil apontar sucessor, acho que muitos vêm fazendo um excelente trabalho, mas agora é difícil quebrar meu recorde. Antes se disputava quatro medalhas, mas agora se disputam duas. Vale lembrar que eu não estou jogando ainda porque eu sou egoísta, mas porque eu acho que ainda posso representar o Brasil. Não estou querendo bloquear o espaço de novos atletas.

V – É mais vantajoso treinar no Brasil ou no exterior?

HH – Até juvenil é bom treinar aqui, mas lá fora tem mais competições. Mas não adianta ir só para fazer competições, é importante treinar com os caras lá, ficar meses lá só treinando. Tenista de mesa treina o ano todo. Temos o circuito internacional com 12 a 14 torneios por ano, mas isso é caro. Só de pensar em disputar dois torneios é um gasto de 10 mil reais. Mas se você não treina com eles fica difícil seguir o ritmo do pessoal.

V- Como é o seu treino?

HH – Hoje em dia eu treino cinco horas por dia, mas cheguei a treinar oito quando eu tinha 16-17 anos.


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Hugo Hoyama fala sobre Jogos Sul-Americanos e o crescimento do interesse pelo tênis de mesa