Com a calmaria de quem se permite ser navegado pelo mar, Paulinho da Viola iniciou a primeira de suas três apresentações em São Paulo, cantando a famosa Timoneiro. Os shows, que estão sendo realizados no Citibank Hall, em São Paulo, referem-se ao Acústico MTV Paulinho da Viola, gravado em 2007, mas também contam com músicas que não estiveram presentes neste álbum. Após três anos sem se apresentar ao vivo, o músico, prestes a completar 67 anos, esbanjou simpatia e cantou os clássicos em noite de samba da melhor qualidade.


 


Alternando em suas mãos o violão e o cavaquinho, Paulinho seguiu, após Timoneiro, com Coração Leviano, iluminado por luzes vermelhas e acompanhado, na voz, por três backing vocals – uma delas, sua filha, Beatriz Faria. A banda, que conta com sete integrantes, e outro filho do sambista, João Rabello no violão, mostra ser digna de ali estar. Talentosos, seguem com Paulinho da Viola na execução das canções com animação.


 


O público estava empolgado, acompanhando os sambas com batidas de palmas e não economizando nas ovações após o término de cada música. Os pontos altos foram, além das já citadas canções, Pecado Capital, que sugestivamente contou com iluminação verde e amarela, Amor é Assim, o samba de Lupicínio Rodrigues Nervos de Aço, Argumento, Ainda Mais, feita em parceria a Eduardo Gudin, a marcante Sinal Fechado (“Essa música fez 40 anos agora”, disse, sobre a vencedora do V Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, em 1969), Eu Canto Samba e, no bis, Foi um Rio que Passou em Minha Vida, homenagem do cantor à sua escola do coração, a Portela.


 


Conversando bastante com a plateia, o artista contou as histórias de alguns sambas que compôs e aproveitou a ocasião para homenagear os parceiros musicais com quem teve oportunidade de trabalhar. Entre os nomes estavam Eduardo Gudin, Mauro Duarte e Capinam. Falou também sobre Marisa Monte e Arnaldo Antunes, que foram os autores da letra de Talismã, também apresentada durante o show.


 


Ao ouvir o cantor, tem-se a sensação de que sua voz (se isso fosse possível) foi submetida ao formol, tamanha a conservação, dando a impressão até de que não se está presenciando uma apresentação ao vivo, mas ouvindo a gravação de um álbum da década de 1970. Paulinho da Viola mostra que está com tudo em cima. O samba desta sexta não acabou quando o dia clareou, mas é visível que uma das maiores figuras da MPB canta o samba, pois assim se sente contente.


 


PAULINHO DA VIOLA EM SÃO PAULO


 


Quando: 17 e 18/10 – 22h e 20h, respectivamente


Onde: Citibank Hall (Al. dos Jamaris, 213 – Moema )


Ingressos: R$ 60 a R$ 130


 

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