Para <b>Arlindo Cruz</b>, o sambista perfeito devia ser feito à imagem do samba. “Orfeu intuitivo, senhor e cativo nas artes do amor / A vida aventureira e no bolso a carteira de trabalhador”. Os 30 anos de carreira de Arlindo tentam consolidar esse samba, que deve sua essência à influência dos antigos e seu gingado e dinamismo aos novos sons da cidade e da periferia. Esse samba, como descreve Arlindo em sua música <i>Sambista Perfeito</i>, deve ser “mente aberta no corpo fechado / contra plágio, pedágio e muamba”. Essas e outras frases estarão nos clássicos que Arlindo apresenta em seu <i>MTV Ao Vivo Arlindo Cruz</i>, que apresenta seu samba clássico e com influências do pagode e da música brasileira contemporânea para o público jovem.

Se Arlindo tinha alguma dúvida em relação à recepção da platéia em seus novos shows, assim que subiu no palco de SP já começou a relaxar e a brincar com os fãs. “Foi uma grande felicidade fazer esse DVD. O público de SP é super caliente, canta e dança junto. Fui muito aplaudido pela galera”. O DVD, que também tem seu repertório dividido em dois CDs, é para o sambista o melhor trabalho de sua carreira. “Além dos sucessos, ele reúne quatro músicas inéditas e cinco interpretações que ninguém tinha visto”.

Arlindo Cruz começou desde criança a tirar músicas de ouvido e a tocar cavaquinho e violão com seu irmão. Mais tarde, foi estudar música e começou a tocar em rodas de samba, onde conheceu uma de suas maiores influências musicais, o compositor <b>Candeia</b>. Seu trabalho foi descoberto pela sambista e cantora <b>Beth Carvalho</b>, madrinha do grupo de pagode <b>Fundo de Quintal</b>, grupo do qual Arlindo começou a fazer parte logo no segundo CD. Para ele, a linha musical de sua carreira solo não difere de seu trabalho no grupo. “O samba que fazia no Fundo de Quintal e que faço hoje é o mesmo. A diferença é que – não querendo criticar o Fundo de Quintal – em um grupo as opiniões sempre estão divididas. Na minha carreira solo, eu decido tudo”.

Arlindo gosta de dizer que faz samba de raiz. Para ele, seu som tem influências que vão “desde os antigos, como <b>Silas de Oliveira</b> e <b>Cartola</b>, até hip hop”. Obviamente, sua música também anda de mãos dadas com o som de alguns de seus parceiros, notadamente o compositor <b>Zeca Pagodinho</b>, um dos convidados especiais de seu DVD. Foi por meio dele, aliás, que surgiu a oportunidade de gravar o MTV ao Vivo, já que Zeca já havia feito um dos volumes da série, o <i>MTV Ao Vivo: Zeca Pagodinho</i>. Outro convidado ilustre do DVD é <b>Marcelo D2</b>. “Eu também já tinha uma grande amizade com o Marcelo. Ele tinha esse envolvimento e esse gosto por samba, e já tinha me chamado para trabalhar no clipe <i>Dor de Verdade</i>, que também conta com a participação do Zeca”.

Além de sua carreira solo, que já conta com quatro álbuns, Arlindo compõe sambas enredo, trabalho que começou por influência de seu amigo Zeca Pagodinho. “Ele já se apresentava com escolas de samba há um bom tempo, e acabei começando a participar também. Compus para a Caprichoso de Pilares e a Unidos da Tijuca, mas era um saco compor só para escolas que perdiam (risos)”. Depois, Arlindo começou a sentir o gostinho da vitória, com sete vitórias de samba enredo pela Império Serrano, mas acabou parando de compor pelo desgaste que os ensaios e a convivência nas escolas envolviam. “Parei de compor ano passado, porque não tenho mais energia para participar de todos os ensaios, estar sempre na quadra e fazer toda a parte política. É complicado”.

Arlindo, agora, pretende continuar a divulgação de seu novo trabalho. Entretanto, ficar parado não é com ele. “Tenho mais de 500 músicas. O que quero agora, além de divulgar, é voltar para o fundo do meu quintal, pegar meu violão, deitar na rede e compor”.

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