Diesel: problema ou solução? Se depender do projeto de lei (PLS 656/2007) do senador Gerson Camata (PMDB-ES), que quer retomar a venda de carros movidos a diesel no país, o combustível é uma alternativa que pode significar economia e até menos poluição que a própria gasolina.

Por outro lado, ambientalistas argumentam que o derivado do petróleo é coisa do passado, sinônimo de sujeira e fumaça preta. Para estes, retomar a venda de carros leves movidos a diesel seria um incalculável retrocesso.

O carro a diesel foi proibido no Brasil em 1976. Desde então, apenas veículos pesados como caminhões, ônibus e caminhonetes podem circular com o combustível.

No entanto, ao longo de três décadas, a tecnologia avançou. Motores com melhor rendimento, filtros que absorvem impurezas e diesel que emite menos poluição após a queima foram alguns dos progressos alcançados. Isso sem falar do biodiesel, a alternativa renovável para o combustível.

Mas será que, mesmo assim, vale a pena permitir o carro a diesel no Brasil após tanto tempo? Por isso, o BATE/REBATE desta semana quer saber: o carro a diesel é bom para o país? Retomar esse combustível é avançar para o futuro ou voltar ao passado?

NÃO, usar o diesel é voltar para o passado
FERNANDO GABEIRA, Deputado Federal pelo Partido Verde (PV-RJ)

Eu sou contra esse projeto. Há muito tempo tenho tentado conduzir um projeto para controlar e checar a emissão de poluentes dos carros – não é simplesmente fazer vistoria, mas um modelo de controle efetivo. Assim poderemos regular a frota.

No momento em que o mundo caminha para o carro elétrico, retomar o carro a diesel é uma forma de voltar para o passado, de voltar atrás na história.

O senador quer democratizar o diesel no país. Tá bem, mas ao fazer isso ele acabará democratizando a poluição. Nós temos que reduzir a poluição, nós temos que caminhar para o futuro.

Não creio que a indústria tenha interesse nessa proposta. A própria indústria automotiva caminha para o futuro com os novos protótipos e novas tecnologias que sugerem carros menos poluentes. Não acredito que a indústria esteja interessada em retornar ao passado.

Tudo depende do interesse do Governo. Se o Governo estiver interessado, especialmente nessa euforia do pré-sal, poderemos voltar para o passado e ver novamente os carros de passeio movidos a diesel nas ruas do país. Nessa atmosfera do pré-sal, há o perigo do país caminhar para trás.”

SIM, o diesel pode ser uma boa alternativa
CARLOS LUENGO, professor e pesquisador do Grupo de Combustíveis Alternativos do Instituto de Física da Universidade de Campinas (Unicamp)

Em termos de poluição, os combustíveis provenientes do petróleo são vilões. Em motores desregulados, o problema é ainda maior, já que a queima não acontece de maneira correta gastando mais combustível e emitindo poluentes na atmosfera de forma desordenada. O ideal é manter o motor regulado com a composição correta do combustível. Por isso, o diesel é uma opção interessante em motores com tecnologias avançadas…

A adição do etanol à gasolina significou maior oxigenação na câmara de combustão do motor, melhorando a queima e, consequentemente, o desempenho do veículo, além de reduzir a emissão de poluentes. O mesmo princípio deve ser entendido no caso do etanol adicionado ao diesel. No Brasil, hoje em dia, o biodiesel funciona como o etanol – se misturado ao diesel fóssil, a queima ocorre de maneira mais uniforme e o desempenho do motor melhora, além de poluir menos.

Os motores utilizados em caminhões e ônibus no Brasil são de baixa eficiência. Além disso, o diesel utilizado no país é um dos mais sujos. A utilização de motores modernos e mais eficientes, e o diesel mais limpo com percentual de álcool pode resultar numa combinação benéfica e menos poluente que a gasolina.

A lei que proibiu os veículos leves movidos a diesel foi criada há muito tempo. Naquela época, além do estímulo ao etanol, a Petrobras não conseguia refinar uma quantidade suficiente de diesel para uma elevada demanda de mercado. Agora, o tempo passou, a Petrobras cresceu e tem muito mais diesel. É justamente essa disponibilidade que pode motivar um projeto de lei como esse.

Falar em carro elétrico ou em carro movido a hidrogênio é ainda futurístico. Esses projetos ainda vão demorar 30 ou 40 anos para entrar em larga escala. Enquanto isso, precisamos optimizar o uso dos combustíveis que já que conhecemos.

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