O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou que o país seguirá exportando petróleo aos Estados Unidos porque considera que uma medida contrária afetaria seus interesses.

Em entrevista ao jornal “El Comercio”, de Lima, Chávez disse que “muita gente não sabe” que a Venezuela tem sete grandes refinarias e mais de dez mil estações de combustível em território americano.

“A Venezuela não pode tomar uma decisão contra nós mesmos. Nós enviamos esse petróleo a nossas refinarias e a nossos sistemas de distribuição nos Estados Unidos”, explicou.

O governante citou como exemplo dos vínculos comerciais os mantidos pelos Estados Unidos e pela União Soviética durante a Guerra Fria, apesar das divergências ideológicas.

“Quase sempre foi assim. A União Soviética e os Estados Unidos em plena Guerra Fria faziam comércio e por bilhões de dólares. A China comunista e os Estados Unidos capitalista também. A China tem papéis do tesouro dos Estados Unidos, acho que no valor de US$ 600 mil, se não me engano”, declarou.

O governante também considerou “uma piada” um comentário do presidente peruano, Alan García, que, durante a última cúpula da União de Nações Sul-americanas (Unasul), afirmou que Chávez temia a instalação de bases dos EUA na Colômbia quando é um dos principais provedores de petróleo ao país da América do Norte.

“A verdade, além da piada do presidente García, é que pela primeira vez a Venezuela diversificou seu mercado”, afirmou.

Acusações

O presidente venezuelano disse hoje que Estados Unidos e Colômbia “mentem descaradamente” ao negar a natureza “militar e estratégica” do chamado “livro branco” que, afirma, “desmascara” o objetivo de “dominação imperial” que teria o acordo militar entre Bogotá e Washington.

Chávez voltou a qualificar de “bem-sucedida” a recente Cúpula Extraordinária da União de Nações Sul-americanas (Unasul), na qual, acrescentou, “se demonstrou o isolamento do Governo da Colômbia” na região.

O governante expressou que “é um desrespeito à inteligência” que os Governos de Colômbia e Estados Unidos afirmem que esse “livro branco” é um “documento acadêmico”, redigido “em uma universidade”.

“Isso é falso (…) é uma estratégia para o domínio global, que está em andamento”, disse o presidente em entrevista coletiva com correspondentes estrangeiros na sede do Governo.

Chávez apresentou o chamado “livro branco” na reunião extraordinária da Unasul realizada nesta sexta-feira em Bariloche, na Argentina.

Ele insistiu perante seus colegas sul-americanos que o relatório seria uma suposta prova da aparente pretensão hegemônica dos Estados Unidos na região através da instalação de “tropas, especialistas e equipamentos de alta tecnologia militar” em sete bases colombianas.

Na própria sexta-feira, os Estados Unidos asseguraram que o documento exibido por Chávez na cúpula de Unasul é na realidade um relatório da Força Aérea sobre planos de emergências e ajuda humanitária, e que em nenhum caso contém estratégias nem políticas do paísa Venezuela diversificou seu mercado”, afirmou.

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