O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgou dados indicando que, em janeiro deste ano, houve aumento de 26% no desflorestamento, em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram desmatados, ao todo, 50 quilômetros quadrados. O primeiro mês de 2010 apresentou 63 quilômetros quadrados de devastação.

Já para dezembro de 2009, foi revelada uma queda de 68% do desmatamento, em comparação a igual período de 2008.  De acordo com o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon, houve 16 quilômetros quadrados de área desmatada na Amazônia Legal no último mês do ano passado.  Em dezembro de 2008, o desmatamento somou 49 quilômetros quadrados.

A devastação acumulada, que se observou para o período de agosto de 2009 a janeiro de 2010, somou 836 quilômetros quadrados.  O dado representa um aumento de 22% em relação ao mesmo período anterior (agosto 2008 a janeiro 2009) quando foram desmatados 687 quilômetros quadrados de floresta.

Em dezembro de 2009 e janeiro de 2010, as florestas degradadas- intensamente exploradas por atividade madeireira e/ou queimadas- na Amazônia Legal totalizaram, respectivamente, 11 quilômetros quadrados e 51 quilômetros quadrados.

O Imazon informa que, como houve grande cobertura de nuvens na região amazônica no período do acumulado analisado, os dados de desmatamento podem subestimar a devastação real.  As regiões com maior cobertura de nuvens foram Amapá, Amazonas e Pará. A parte do Maranhão que compõe a Amazônia Legal também não foi analisada.

Desmatamento que gera emissões

Pela primeira vez, o SAD reportou as emissões de carbono provenientes do desmatamento detectado na Amazônia Legal.  Segundo o sistema, no período de agosto de 2009 a janeiro de 2010, o desmatamento acumulado causou o comprometimento de 13,8 milhões de toneladas carbono, sujeitas a emissões diretas e futuras por eventos de queimadas e decomposição, resultando em 51 milhões de toneladas de CO2 equivalente.

A informação representa aumento de 41% das emissões de carbono em comparação ao mesmo período do ano anterior (agosto de 2008 a janeiro de 2009), quando o total de carbono florestal afetado pelo desmatamento acumulado- 687 quilômetros quadrados- foi de 9,8 milhões de toneladas, resultando em 36 milhões de CO2 equivalente.

“Dizemos que o carbono foi comprometido ou afetado porque não podemos afirmar que a emissão já ocorreu, se o gás já está ou não na atmosfera.  A emissão vai acontecer em algum momento, mas pode ser numa próxima queimada, por exemplo”, explicou ao jornal Estado de S.Paulo, o cientista do Imazon Carlos Souza Júnior.

De acordo com o jornal, para calcular as emissões de carbono desencadeadas pelo desmatamento, o Imazon fez um cruzamento de dados.  Cada polígono onde houve desmatamento foi comparado a mapas de biomassa da Amazônia.

O “simulador de emissões de carbono” trabalha com estimativas frente a algumas incertezas, como a verificada para casos de incêndio, que não têm eficiência de 100% e, portanto, nem sempre levam à queimada de toda a biomassa existente.

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