Bem longe de Ipanema, os cineastas Guto Barra e Béco Dranoff resolveram mostrar a relevância que a música brasileira tem para o mundo. Abordando a bossa nova até a new rave de CSS, o trabalho dos dois rendeu o documentário Beyond Ipanema: Brazilian Waves in Global Music, que recentemente estreou no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA).

Atualmente, ambos vivem em Manhattan, onde tiveram a oportunidade de presenciar de perto a força que a música brasileira tem na metrópole. “A música brasileira está presente em muitos lugares: no jazz, no pop, na eletrônica. Esse é justamente o ponto que o filme traz”, afirma Barra. “Artistas e produtores locais estão sempre inovando com fusões super-interessantes”, adiciona Dranoff.

Com entrevistados como David Byrne, Devendra Banhart, Caetano Veloso e M.I.A., a dupla Barra e Dranoff também mostra como o conceito de sucesso no exterior está em constante mudança, ainda mais com a internet. “Os artistas brasileiros que mais venderam discos no mercado americano foram o Sergio Mendes e Bebel Gilberto”, diz Guto. “Mas se você fizer uma pesquisa no YouTube hoje em dia, por exemplo, o CSS e o Bonde do Rolê tem alguns milhões de hits a mais do que o Sergio ou a Bebel”, compara.

Beyond Ipanema também traz diversas curiosidades como a história de uma escola pública do Harlem em que o samba é o principal gênero ensinado. Ou a de Joel Stones, brasileiro radicado em Nova York e dono da loja Tropicália in Furs, especializada em LPs brasileiros raros. No filme, é possível ver que ele vendeu um compacto de O’Seis, primeiro nome dos Mutantes, por US$ 5 mil para um fã da Califórnia. “É provavelmente o disco brasileiro mais caro do mundo”, conta Barra.

O documentário também relembra o episódio em que a cantora singalesa M.I.A. entrou em contato com funk brasileiro. “No dia em que ela entregou o master de seu primeiro disco para a gravadora, ela acabou ouvindo o funk carioca pela primeira vez. Ela ficou tão transtornada, que ligou para a gravadora e mandou parar tudo, para que ela pudesse refazer o disco, já que tinha que ‘pensar novamente no conceito de música’”,.

O QUE É QUE A BAIANA TEM?

Para os cineastas, a música brasileira é apreciada ao redor do mundo. “Mas existem cenas muitos fortes em grandes capitais como Londres, Berlin, Paris e Tokyo”, adiciona Dranoff. E afirmam que vários fatores e gêneros musicais colaboraram para que a exposição da sonoridade brasileira acontecesse.

Entretanto, “primeiro foi a Carmen Miranda, que foi muito importante para colocar o Brasil no mapa e, como diz o Ruy Castro no filme, infiltrou a música brasileira em Hollywood, o que foi uma coisa heróica”, relembra Barra. “A Carmen foi a primeira a abrir as portas e desde então os ciclos se repetem”, adiciona Drenoff.

Outro gênero que colaborou para a divulgação da música brasileira no exterior foi a Bossa Nova, que trouxe “uma percepção do Brasil como uma coisa sofisticada e moderna, que ficou até hoje no subconsciente de muitos americanos”, afirma Barra.

Citando o jornalista e produtor musical Nelson Motta, Dranoff ainda relembra o grande feito que o disco Getz/Gilberto, resultado da parceria entre o saxofonista norte-americano Stan Getz e João Gilberto, conquistou ao receber quatro Grammys em 1964. “Naquele ano isso significava concorrer com os Beatles, Rolling Stones, Elvis Presley e Frank Sinatra”.

BEYOND IPANEMA NO BRASIL

Segundo Barra e Drenoff, o documentário deve estrear comercialmente no Brasil em 2010. “A idéia é fazer o circuito internacional de festivais primeiro”, afirmam. O documentário vai participar ainda este ano de festivais no Brasil, na Coreia do Sul, Dinamarca, Espanha e Nova Zelândia.

Os cineastas ainda prometem que uma trilha sonora do filme também pode acompanhar o lançamento de Beyond Ipanema. “O comentário que mais ouvimos depois da nossa estreia no MoMA foi que o filme ‘dá vontade de ouvir todas aquelas músicas’”, conta Barra.

Drenoff ainda diz que “o projeto incluí cerca de 50 gravações diferentes de artistas consagrados como Gilberto Gil, Bebel Gilberto, Mutantes, até gente novíssima como Garotas Suecas, CSS, Bonde do Rolê e muitos mais”. “Também temos algumas músicas originais gravadas para o filme pelo produtor Flávio Lemelle aqui em Nova York”, conclui.

Confira o trailer:

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