O confronto começou por volta das 17h da terça-feira (9). Estudantes e funcionários da Universidade de São Paulo faziam uma manifestação em frente ao prédio da reitoria no campus Butantã, zona oeste da capital paulista, quando foram surpreendidos pela Polícia Militar.

Com cassetetes, bombas de efeito moral, spray de pimenta e balas de borracha, os policiais partiram para cima dos manifestantes. Estes revidaram com pedras, pedaços de madeira e tijolos. Uma confusão que terminou quase uma hora e meia depois com pelo menos uma dezena de feridos.

Quem estava próximo ao estopim do confronto era Danilo Verpa, repórter fotográfico da Folha de S. Paulo, que teve a oportunidade de fazer a foto de capa do jornal. Mas, logo após registrar a agressão de um PM contra um estudante, foi golpeado nas costas.

O Virgula conversou com Danilo Verpa que nos contou com detalhes o que aconteceu na USP.

Virgula: Como aconteceu a agressão da Polícia Militar?
Danilo Verpa: “Os grevistas estavam no final de uma manifestação em frente ao prédio da reitoria e os policiais tinham acompanhado tudo de perto, numa boa. Mas, quando o movimento começou a se dispersar, a PM entrou em ação. Naquele momento eu estava no meio da confusão e pude fazer a foto que saiu nas capas dos jornais. Uns 30 segundo depois, um policial veio por trás e me deu uma cacetada no ombro direito. Eu estava identificado com o crachá e com a máquina fotográfica. Ele sabia que eu estava trabalhando e mesmo assim me agrediu. Eles ainda ameaçaram atirar. Tenho uma foto de um policial mirando em minha direção. Agora estou com o ombro bastante inchado e sentido dores”

Virgula: Depois do episódio, ocorreu mais algum problema?
DV: “Uma meia hora após o início da confusão, estava parado com mais dois colegas [os também fotógrafos Rogério Casemiro e Nélson Antoine] próximo da reitoria. De repente, a Tropa de Choque chegou jogando spray de pimenta em cima de mim e dos outros dois. Ainda assim, quando eles estavam de saída, jogaram uma bomba de gás lacrimogênio em nossa direção”

Virgula: O que você fez depois desses problemas?
DV: “Entre 19h30 e 20h, fui falar com o coronel Cláudio Longo, comandante da Tropa de Choque. Ele tentou minimizar a situação dizendo que era apenas um caso isolado e pediu pra conversar com ele num canto, a sós. Mas eu preferi abrir um Bolteim de Ocorrência e não quis conversar. Eu estava nervoso depois de tudo que tinha passado e preferi sair de perto. Pensando bem, prefiro acreditar que foi um caso isolado de algum policial que ficou descontente e perdeu a cabeça quando viu que eu fotografei um de seus companheiros agredindo um estudante”

Virgula: O confronto entre grevistas e policiais poderia ter sido evitado?
DV: “No começo da passeata, os estudantes foram ao encontro da PM e provocaram muito os policiais. Muito mesmo. Até o ponto que os oficiais não aguentaram mais as provocações. De qualquer maneira, a presença da PM na Universidade é inaceitável. O problema é que o comando de greve também é bastante desorganizado. Tanto é que quando o conflito aconteceu só tinha estudantes naquele meio. Os funcionários, líderes dessa greve, simplesmente sumiram. Tenho a impressão de que os estudantes são usados como massa de manobra nesta greve. Eu acho que eles precisam se preocupar mais com a reitoria e menos com policia”

Virgula: Você disse que fez um Boletim de Ocorrência. E agora? Pretende mover uma ação contra o Estado?
DV: “Eu vou estudar isso ainda. Sinceramente, não sei. Não foi uma lesão grave, meu braço está dolorido, inflamado. Passado esse choque, aí sim vou conversar com o pessoal da empresa para decidir o que fazer.”

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