Enquanto em 2008 apenas um quarto dos participantes da Campus Party eram mulheres, em 2009 esse número passou para 32% do total. Quem circulou pelas bancadas do evento pode ver as meninas se divertindo com a conexão de 10 Gbps.

Apesar de ampla, a presença das meninas não é homogênea em todas as áreas.

Anna Silva, 25 anos, estudante de design de interiores, Michelle Rodrigues, 23, técnica de informática e Vanessa Dias, 19, estudante de ciências da computação, têm em comum o fato de serem parte do grupo de Jogos da Campus Party. Segundo elas, das 50 pessoas que compõe o clã de Games da NV (famoso fórum de tecnologia), somente cinco são mulheres.

“Existe um preconceito por parte das meninas, que acham que não jogam tão bem quanto os meninos. Mas a gente está aqui justamente pra quebrar isso”, disse Vanessa, que faz questão de frisar que vem ao evento por uma questão de paixão pessoal. “Estamos aqui porque gostamos de jogar videogame mesmo, não por influência de namorado ou irmão”.

Michelle conta que as competições acontecem de igual pra igual, sem qualquer vantagem para determinado sexo. “Jogamos tão bem quanto os garotos, e muitas vezes eles tomam ‘chineladas’ da gente”.

A programadora Jéssica Carrasco, 22 anos, vive de desenhar sites e viu seu interesse por tecnologia despertar através do seu interesse musical. “Meus primeiros sites foram tentativas de organizar coleções de letras de música, e através deles percebi que tinha aptidão”, contou a garota ao Virgula Tech.

Jess, como prefere ser chamada, gosta de baixar músicas, jogos e fotos. “Eventualmente baixo filmes, livros e HQs mas não com tanta frequência quanto outras mídias”. Sobre ser ou não ser geek, Jess se considera uma sim. “O termo se refere a alguém que entende muito sobre um assunto, além de ter várias coisas ligadas à internet e tecnologia, que eu adoro e sempre pesquiso sobre”.

GADGETS E JÓIAS

Renata Rocha, 30 anos, é administradora de sistema linux e desde pequena tem vocação para geek. “Quando tinha nove anos, pedi de presente pro meu pai um computador. Por algum motivo me pareceu um presente legal (eu via filmes em que as pessoas usavam computador e aquilo parecia fascinante). Ele me deu o presente, era um TK-95, um clone de Sinclair, tenho até hoje”, contou Renata.

Na época, ela era a única criança com computador em casa e quando fez 16 anos, trocou o primeiro pc por um 486. “Mas só comecei a acessar a internet em 1998, pelo Trumpet Winsock e Netscape Navigator Gold”.

Renata não abre mão de celular e notebook no dia-a-dia e diz ter um fetiche pelo N95. “Uma vez li uma pesquisa dizendo que hoje as mulheres preferem gadgets a jóias. Eu sou uma dessas, com certeza”.

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