Um militar descreveu nesta quinta-feira (5) que os policiais afegãos da província de Helmand são, em sua maioria, “corruptos” e “drogados, especialmente em ópio.

As acusações ocorrem por causa da morte na quarta-feira (4) de cinco soldados britânicos devido aos disparos de um policial, que conseguiu escapar depois.

“Fomos a Helmand para treinar a Polícia Nacional afegã sem saber a que nível se encontrava, achávamos que teríamos que ajudá-los a patrulhar com eficiência”, afirma o militar, não identificado, em declarações ao jornal The Independent.

“Por outro lado, tivemos que ensiná-los a apontar com a arma na mira e não parar sem motivo os motoristas para exigir o pagamento de dinheiro”, afirma o comando militar ao jornal.

“A maioria se drogava, chegavam na delegacia à noite totalmente drogados e, às vezes, ficavam atirando sem mais nem menos”, acrescenta o militar.

“Achávamos que treinaríamos adultos e percebemos que teríamos que trocar fraldas. Dê-lhes 20 rodadas de munição e acertarão uma vez no alvo”, disse.

Segundo o anônimo militar, os policiais afegãos que encontraram “não tinham espírito de corpo, lealdade ou camaradagem, coisas que deveriam ter sido incluídas em seu treinamento”.

“Como formar um grupo de idiotas e transformá-los em uma força capaz se não têm senso de lealdade, de pertinência (a um corpo)?”, pergunta o militar, nas declarações ao “Independent”.

O militar afirmou ainda que os policiais afegãos que encontraram “tinham a capacidade de concentração de um mosquito: um dia apareciam 20, e no dia seguinte não se apresentava nenhum, depois vinham 15 e de repente aparecia um rosto novo”.

“Era muito difícil conseguir que fizessem inclusive o básico, como vigiar o posto. Drogavam-se, deixavam o posto, tinham relações sexuais entre eles, e poucos se mantinham atentos ou alertas”, explica.

Os soldados britânicos se sentiam especialmente “vulneráveis”, acrescenta, e, se saíam de patrulha, não diziam aos afegãos onde iam, para que não passassem a outros a informação e evitar que fossem colocadas minas pelo caminho.

O militar reconhece que há progressos, “mas são muito lentos” e diz “que foi desperdiçado dinheiro e muitas vidas foram perdidas inutilmente” por culpa de uma decisão simplesmente política.

“O Exército britânico teve que fazer algo que não deveria estar fazendo. Esse tipo de formação poderia ser feita pela Polícia do Ministério da Defesa ou policiais civis”, afirma o militar.

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