A ONU e diversas ONGs homenageiam hoje, no primeiro Dia Mundial Humanitário, os trabalhadores humanitários que arriscam suas vidas em lugares de conflitos ou catástrofes e que cada vez com mais frequência são alvos de ataques.

“Estão no passado aqueles tempos em que dirigir um jipe com um símbolo humanitário era uma garantia de segurança. Atualmente, a ajuda se transformou em alvo”, lamentou Jonathan Mitchell, diretor de respostas de emergência da ONG Care International.

A frase resume o dilema que enfrentam as organizações humanitárias, entre a vontade de ajudar a população em situações dramáticas e a necessidade de garantir a segurança daqueles que levam a ajuda.

“É realmente um dilema terrível. Com o novo perfil dos conflitos armados e a mudança de atitude de alguns agressores, os ataques deliberados aos trabalhadores humanitários aumentaram e criaram uma tensão – às vezes contradição – entre a segurança do pessoal e a ação humanitária”, afirma António Guterres, Alto Comissariado da ONU para os Refugiados.

Guterres participa hoje, com outras personalidades em Genebra, Suíça, da cerimônia oficial para comemorar a data, declarada pela ONU como 1º Dia Mundial Humanitário em referência ao dia 19 de agosto de 2003, quando morreu em Bagdá o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, então Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, ao lado de outras 22 pessoas, em um atentado contra o escritório das Nações Unidas na capital iraquiana.

Com 700 trabalhadores humanitários mortos na última década, as Nações Unidas tentam chamar a atenção para esta função, assim como para as crises humanitárias que se estendem pelo mundo.

Segundo a ONU, em 2008, 260 trabalhadores humanitários foram vítimas de incidentes de segurança (mortos, feridos e vítimas de sequestros), entre membros de ONGs, das Nações Unidas ou da Cruz Vermelha.

Nos últimos três anos, a média de ataques triplicou em relação aos nove anos anteriores. Ao todo, 122 trabalhadores humanitários morreram em 2008, um aumento brutal em relação aos 36 que faleceram dez anos antes.

O perigo que sofrem é tal que a taxa de mortalidade do pessoal humanitário internacional (não o contratado localmente) é superior a das tropas de manutenção da paz, destacou o Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários (OCHA).

“Não há ajuda humanitária sem trabalhadores humanitários”, lembrou Christiane Berthiaume, porta-voz em Genebra da Fundação Sérgio Vieira de Mello.

A sucessora de Vieira de Mello, a Alta Comissária Navi Pillay, lembrou hoje que “os trabalhadores humanitários estão na linha de frente, tentando dar o mínimo de apoio e proteção à população afetada por conflitos, pobreza crônica, escassez de alimentos, desastres naturais e outras crises”.

“Matar aqueles que tentam ajudar é um crime desprezível”, ressaltou.

Entre os países mais inseguros para o pessoal humanitário em 2009, estão o Paquistão, a região sudanesa de Darfur e a Somália, segundo a OCHA.

O coordenador da agência da ONU na Somália, Graham Farmer, lembrou hoje que “na Somália, desde janeiro de 2008, 42 trabalhadores humanitários foram assassinados e 33 sequestrados”.

“Em algumas partes da Somália, o espaço humanitário está se reduzindo de forma alarmante. Os armazéns de agências de ajuda são assaltados por grupos armados, fazendo com que estas organizações pensem duas vezes antes de trazer mais equipes e colocá-las em risco”, acrescentou Farmer.

Entre outros países perigosos para as agências humanitárias se encontram Afeganistão, a República Democrática do Congo e Iraque.


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ONU homenageia coragem de trabalhadores humanitários