Nessa segunda-feira (19) foram abertos – em Zurique (Suíça) e em Tel Aviv (Israel) – os cofres que continham manuscritos de Franz Kafka. Nunca publicados, o material estava lacrado por disputas de herança, e agora existe a possibilidade de que esses textos inéditos sejam revelados.

A papelada estava com Esther Hoffe, que guardou parte dos manuscritos em um banco suíço – que não comenta o caso – e parte empilhado pela sua casa, cheia de gatos. Depois a morte de Esther, há três anos, os manuscritos deveriam fuçar com suas filhas, que por sua vez doariam para um arquivo alemão. A disputa agora é com o Estado de Israel. Shmuel Har Noi, diretor da Biblioteca Nacional de Israel em Jerusalém diz que quer “recuperar os manuscritos de Kafka”, pois entende que Kafka veio de uma família judia.

Recluso e perturbado, Kafka é considerado um dos mais brilhantes e revolucionários escritores de literatura do século 20. Livros como A Metamorfose e O Processo são considerados fundamentais para uma formação cultural sólida.

A revelação desse material inédito é de enorme relevância para o estudo da literatura de Kafka, além da grande possibilidade de trazer à tona textos completos, que devem carregar toda a genialidade do autor.

Mas até que ponto temos o direito de revelar um material que o próprio Kafka gostaria de levar pro caixão? Em carta a seu amigo e também autor Max Brod, para quem Kafka deixou todos os seus papéis, Kafka diz: “Caro Max, meu último pedido: Tudo o que eu deixar para trás deve queimar sem ser lido”.

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