Fechar X

Quem?!?!Cantor

NOVO ÁLBUM
Emílio: Quando foi a última vez que você veio aqui?
Arnaldo: Faz tempo…
Emílio: Com o Tribalistas você veio?
Arnaldo: Não.
Emílio: Foi bacana o Tribalistas. Eu sou fã daquele disco.
Arnaldo: Que legal! Rolou uma química entre a gente.
Emílio: Você está lançando um novo álbum: o Iê Iê Iê.
Arnaldo: Isso aí. É um disco de “Iê Iê Iê”, que se chama Iê Iê Iê.
Emílio: Mas é um bom “Iê Iê Iê”?
Arnaldo: É o “Iê Iê Iê” do Arnaldo Antunes.

DOCUMENTÁRIO
Amanda: Eu assisti o documentário do Titãs. Posso perguntar a respeito disso?
Arnaldo: Pode, claro!
Amanda: Então, eu vi que você e Tony Bellotto tiveram problemas com tóxicos. Eu pensei que isso não existisse no Brasil.
Emílio: Você não era nascida.
Amanda: Heroína é muito “prafrentex”. Vocês eram mesmo doidões ou faziam o estilo Fresno?
Arnaldo: A gente era como está no documentário. O vídeo é muito bacana porque é muito real. Ele é todo feito com registros de época.
Amanda: Hoje em dia, você fala com o Tony Bellotto?
Arnaldo: Sim. Continuo amigo de todos eles.
Amanda: Vocês tocavam em programas muito bregas.
Arnaldo: Eu adorava programa de auditório. Acho que meu universo “iê iê iê” vem daí.
Emílio: Eu não imaginava que vocês tinham tanto material guardado.
Arnaldo: O Branco filmava tudo. Ele andava o tempo inteiro com uma câmera e nós gravávamos os programas em VHS.
Emílio: A textura do VHS meio podre é bem legal.

TITÃS
Bola: Em algum momento você se arrependeu de sair do Titãs?
Arnaldo: Nem um pouco. Eu estou muito feliz na carreira solo. A gente continua fazendo música juntos, eu participei do disco acústico, também estive na excursão fazendo show com o Paralamas.
Emílio: Você acha melhor ficar sozinho ou tocar em um grupo?
Arnaldo: Acho que depende muito do momento que você está vivendo. O tempo que eu fiquei no Titãs foi muito importante, foi a minha escola, dali saiu tudo que eu aprendi. Mas, chegou o momento em que eu queria mostrar outras coisas e resolvi seguir meu caminho.
Bola: Não dava para você fazer um projeto paralelo?
Arnaldo: Para mim, não. O Titãs tinha vários cantores, então não podia parar o tempo para eu seguir minha carreira.
Emílio: Eu acho que não é fácil ser integrante do Titãs porque, na banda, todos são muito criativos, tocam, escrevem e querem impor suas idéias e vontades.
Arnaldo: No documentário dá pra perceber uma competição entre os membros. Tanto é que eles sempre têm mais músicas para os discos novos do que cabe naquele determinado disco.

LIVRO INFANTIL
Silveirinha: Você chegou a escrever um livro só com frases do seu filho Tomé. É verdade?
Arnaldo: Isso começou como um projeto familiar íntimo. Durante a infância, eu anotei as coisas engraçadas e curiosas que meu filho dizia. Aí, eu comecei a fazer desenhos para ilustrar as frases dele. Na época, uma editora do sul me consultou, perguntando se eu tinha algum projeto que unisse palavra e imagem. Falei deste livro, eles curtiram o material e quiseram fazer o livro.

INTERNET
Emílio: A internet tirou o dinheiro que vocês ganhavam das gravadoras.
Arnaldo: A internet mudou a vida do músico de duas formas: tirou o dinheiro da venda dos discos, mas é um meio muito eficiente de divulgação do nosso trabalho. A questão ainda está muito no começo e deve se resolver de outras formas.
Emílio: Hoje em dia, a única forma de ganhar dinheiro é com show?
Arnaldo: Para o artista que faz show, sim. Mas e como fica o compositor, que escreve a música, mas não faz show?
Bola: Este está morto.
Emílio: O cara vai ter que aprender a fazer show na marra.
Arnaldo: A pessoa que baixa apenas uma música na internet, perde o conceito do disco, que é o mais bacana. É ele que explica a fase, o contexto do artista naquele álbum.

Fechar X
Sem mais artigos