Quem assistiu aos filmes “Procurando Nemo” e “Como se fosse a primeira vez”, a perda de memória recente pode parecer algo divertido, engraçado, mas a realidade é bem diferente da ficção, como é possível perceber, conhecendo a história de Ricky Dean, de 19 anos. O garoto do Reino Unido sofre com o problema e precisa espalhar lembretes pela casa toda para lembra-lo do que fazer e onde está.

Segundo reportagem do “Daily Mail”, Ricky sofreu com falta de oxigênio durante o parto e uma das sequelas foi a perda da memória recente e a falta de noção de tempo. Ele precisa de ajuda constante para executar tarefas diárias e utiliza placas, lembretes no telefone celular e bilhetinhos pela casa, para “lembra-lo” de seus afazeres.

“Pode ser muito difícil às veze, mas minha família e amigos me ajudam muito. Meus colegas estão sempre fazendo piada sobre isso, o que é bom. Eles vivem dizendo que eu peguei dinheiro emprestado, mas eu nunca consigo saber se eles estão me enfolando ou não. Só descubro quando chego em casa e checo minhas listas”, diz Rick em tom bem humorado.

Ele diz que em alguns casos, sua condição pode ser um pouco frustrante para as outras pessoas, já que ele nunca se lembra do que fizeram. “Se eu não tivesse minhas listas em casa, eu não lembraria de escovar os dentes, almoçar etc. Estaria perdido. A pior coisa é faltar a compromissos com os amigos e esquecer coisas boas”, explica.

Quando era criança, Ricky foi diagnosticado com autismo, pois agia de forma pouco convencional, no entanto, quando fez 11 anos, seus pais o levaram para fazer um check-up, então, foi constatado o problema de memória e sua extensão.

Até três anos atrás, o garoto raramente saía de casas sem a família, pois nunca conseguia lembrar para onde estava indo e como voltar para sua residência. Agora ele anota tudo no telefone e consegue manter o controle de sua vida.

“Nós sabíamos que algo estava errado com ele aos sete anos. Quando tivemos o diagnóstico foi um alívio, pois percebíamos que ele fazia coisas estranhas, mas não sabíamos que não era por querer. Tentamos promover a independência dele, mas tarefas como cozinhar ou tomar banho eram um risco muito grande, já que ele não podia identificar se o forno ou o chuveiro estavam ligados há cinco minutos ou cinco horas”, lembra a mãe do adolescente.

Depois do diagnóstico do problema, que nem os médicos sabem como nomear, Ricky conseguiu completar o colégio e está estudando agricultura e horticultura em uma unidade especializada.

“Meu telefone é praticamente minha memória agora. Eu o uso para tudo, e só assim posso ter uma vida normal. O celular é quase como um melhor amigo de verdade”, comemora o rapaz.

Fechar X
Sem mais artigos