Reprodução / Twitter / Alexa Unrein

O atentado a duas mesquitas na cidade Christchurch, na Nova Zelândia, deixou 50 mortos e horrorizou o país, sobretudo John Sato. O veterano da 2ª Guerra Mundial, de 95 anos, fez questão de demonstrar apoio à comunidade muçulmana e comparecer a um protesto contra o racismo. Para isso, precisou pegar quatro ônibus.

Sato contou à rádio RZN que não está mais acostumado ao “mundo moderno”, pois raramente sai de seu bairro. Porém, os crimes de ódio que ocorreram em 15 de Março lhe tiraram o sono. “Fiquei acordado a noite inteira e não durmo bem desde então. Achei triste demais. Você consegue sentir o sofrimento de outras pessoas”, disse em entrevista.

Um dos principais suspeitos de ter realizado o ataque era simpatizante da extrema-direta e anti-imigração. Sato, por sua vez, identifica-se como euro-asiático, já que sua mãe era escocesa e o pai japonês. O aposentado reforça o quão importante é cuidar das outras pessoas, independente da etnia, e tenta ser otimista.

“Foi uma grande tragédia, mas há um outro lado. Isso uniu as pessoas, independente da raça. Elas começaram a perceber que somos todos um só, precisamos cuidar uns dos outros.”

Em meio a vigílias por todo o país, Sato decidiu ir à mesquita mais próxima de sua casa, que de acordo com a CNN, fica a 15 minutos de ônibus. Em seguida, ele foi para uma grande manifestação, a 50 minutos de distância. O trajeto foi completado após um total de quatro viagens de ônibus e com o apoio de outros passageiros. A polícia local ofereceu água e uma carona de volta para casa.

Grande homem. Aqueceu o meu coração ver como cuidaram bem dele.

John Sato é viúvo e perdeu a única filha no ano passado. Ele foi recrutado na 2ª Guerra Mundial para lutar contra o Japão, terra natal de seu pai. Segundo o ex-soldado, ele era o um dos dois únicos descendentes de japoneses que serviram no exército neozelandês na época.

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