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Ela nasceu e se criou em Stevenage, Hertfordshire, no Reino Unido. Por volta dos 20 anos, Carole Horlock descobriu ter um dom: dar à luz como “profissão”. Mãe de duas filhas, ela decidiu ser barriga de aluguel para ajudar casais que não podem conceber. Ao longo de sua “carreira” foram 13 bebês e nove casais “presenteados”. Com isso, a mulher virou a recordista no assunto no Reino Unido. 

Hoje, aos 46 anos, ela acaba de dar à luz ao seu último bebê, nascido no último domingo (14). Foram oito meninas e cinco meninas, incluindo gêmeos e trigêmeos. 

“Tenho de parar por causa da minha idade, mas gostaria de não precisar. Algumas pessoas perguntam como eu posso desistir de um bebê que é biologicamente meu, mas eu nunca teria concordado se não tivesse certeza de que os casais que ajudei são mães e pais fabulosos. Nunca me arrependi. Eles são pessoas adoráveis, que passaram por tanta dor, por não poder gerar vidas. Sei que tenho dado o presente mais precioso a pessoas que não podem conceber”, disse em entrevista ao “Daily Mail”. 

Casada há 14 anos com Paul Brown, de 55, Carole é mãe de Steffanie, 22, e Megan, 19 – ambas frutos de relacionamentos anteriores. A decisão de se tornar mãe de aluguel veio após o nascimento da mais nova, num momento em que estava desempregada e separada pela segunda vez. 

Ela lembra que não queria ter filhos até engravidar acidentalmente pela primeira vez. Três meses após o nascimento da menina, ela se separou do primeiro marido. Três anos depois, deu à luz a Megan, resultado de um relacionamento que terminou antes de seu nascimento. 

Na época, em 1995, ela trabalhava em uma lavanderia, e talvez tivesse continuado lá, se não fosse por um anúncio no jornal, que procurava por uma barriga de aluguel. “Estava chocada em ter duas filhas e ser solteira. O anúncio chamou minha atenção. Eu gostava de estar grávida e podia imaginar o quão devastador seria não poder ter filhos. Sabia que eu era muito fértil, então, pensei que provavelmente poderia fazer algo para ajudar essas pessoas”, lembra. 

Depois de entrar em contato com a agência mencionada no artigo, Carole passou por uma série de exames físicos e psicológicos até ser “aprovada” para o “emprego”. Algumas semanas depois ela estava enfrentando uma seleção de casais disponíveis a utilizar seus serviços. 

Os bebês são concebidos por inseminação artificial. Na primeira tentativa, ela não engravidou, mas na segunda o teste de gravidez deu positivo. Amigos e familiares de Carole a apoiaram na sua nova profissão, menos o pai dela, que não se sente confortável com a situação. 

Em dezembro de 1995, nasceu o primeiro dos filhos de aluguel, um menino que foi imediatamente entregue ao casal feliz. “Todos nós choramos e foi incrível. Nunca senti que ele era meu filho, sempre foi deles. Foi maravilhoso vê-los como uma família. Me senti muito orgulhosa”, relata. 

A partir daí, ela não parou mais de ter bebês. Mesmo quando encontrou seu atual marido, ele entendeu sua condição e não se opôs. “Eu tive relacionamento com homens que disseram que não poderiam lidar com isso. A minha convicção é que eles não eram os companheiros ideais para mim. Eles teriam de aceitar o que é importante para mim. Paul concordou com isso e estamos juntos até hoje. Ele ainda acha maravilhoso sentir os bebês chutando dentro de mim. Gosta de compartilhar cada gravidez”, explica. 

O pagamento por seus “serviços” é tido como ilegal no Reino Unido, no entanto, ela recebe uma “ajuda de custo” que varia entre £ 10 mil e £ 15 mil (em torno de R$ 30 e 46 mil) durante o período de gestação. Apesar disso, Carole fica bastante brava quando dizem que ela carrega os bebês por dinheiro. “É uma sugestão ridícula. Eu faço isso para ajudar os casais. Eles me pagam o que podem pagar”, justifica-se. 

Apesar de tudo, ela afirma que não sente as crianças como seus filhos. “O amor incondicional que sinto por minhas duas filhas é incomparável. O vínculo é estabelecido assim que começo a amamentar e cuidar de um bebê, não enquanto estou grávida. Não me apego aos bebês que doo”, explica. 

Tudo ia bem nos “negócios”, até que, em 2004, um exame de DNA revelou que o nono bebê doado por Carole era, na verdade, fruto de seu relacionamento com Paul. “Quando descobri o que tinha acontecido, chorei por semanas. Discutimos sobre pegar a criança de volta, mas não poderíamos fazer isso com a outra mãe. Então, concordamos em deixar tudo como estava, já que os novos pais estavam com o menino há seis semanas e tinham se apegado muito”, diz.

Mesmo com a confusão, Carole continuou na profissão. O marido fez uma vasectomia, ela foi dispensada da agência de adoções, mas continuou o trabalho por conta própria. 

Depois do 13º parto, no qual sofreu diversas complicações, como pressão alta, devido a sua idade avançada, ela vai se aposentar.

“Eu amo dar à luz, mas nada poderia ter me preparado para este momento tão difícil. Foi o trabalho de parto mais complicado que já tive, mesmo depois dos trigêmeos. Este e definitivamente meu último, não posso mais passar por uma provação dessas. Depois desses anos todos estou pronta para me aposentar, e ansiosa para aproveitar as memórias de todas as mulheres que ajudei a transformar em mães”, disse ao “The Sun”. 

Em todos esses anos, a única exigência de Carole é uma carta por ano e uma foto, para que possa acompanhar o crescimento de todos seus “filhos”. Ela apenas não sabe do paradeiro de dois, dos quais não têm conhecimento de serem frutos de inseminação artificial e barriga de aluguel. Carole guarda as fotos de todos em uma caixinha especial. Ela diz que ficaria bastante feliz se algum deles quisesse conhecê-la daqui uns anos. 

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