Mais da metade dos alunos do 6º ano do Ensino Fundamental da maior parte das escolas latino-americanas confessa ter sido vítimas de roubos, insultos, ameaças e agressões de colegas, revela estudo de especialistas chilenos e espanhóis.

Baseado em dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) desenvolvido entre 2005 e 2009, o relatório aponta o roubo (39,4%) como a agressão mais frequente, seguida da violência verbal (26,6%) e violência física (16,5%).

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Os autores do estudo examinaram os resultados de 2.969 escolas, 3.903 salas de aula e 91.223 estudantes da 6ª série de 16 países latino-americanos: Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Chile, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, a República Dominicana e Uruguai.

A análise revela que 51,1% dos estudantes dizem ter sido vítimas de bullying no mês anterior ao da pesquisa.

“Chama a atenção que seja a América Latina a região do mundo com maior violência escolar”, detalha nesta quarta-feira (02) à Agência Efe um dos responsáveis pelo estudo, Javier Murillo, da Faculdade de Formação de Professorado e Educação da UAM, que explica que o percentual oscila entre 30% e 40% em regiões como Europa, Ásia e África.

Uma situação que “pode estar relacionada” com o fato de a América Latina ser a “região do mundo com maior desigualdade, mais inclusive do que a África”, acrescenta o especialista, ressaltando os resultados obtidos pela Colômbia, “onde a violência está muito presente na sociedade e isso se reflete nas salas de aula”.

O estudo, desenvolvido também por Marcela Román, do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Educação da Universidade Alberto Hurtado do Chile, constata que os meninos e meninas vítimas de assédio escolar têm um desempenho em leitura e matemática significativamente inferior aos que não sofrem estes maus-tratos.

Nas salas de aula com mais casos de violência física ou verbal, os alunos têm piores desempenhos do que naquelas com menores episódios de maus-tratos entre os colegas.

Apesar de se tratar de um problema generalizado na região, os autores afirmam que há diferenças entre países segundo categorias diferentes de bullying.

No caso do roubo, por exemplo, enquanto na Colômbia mais da metade dos alunos da 6ª série diz ter sido furtada no último mês, em Cuba este número não chega a 10%.

Em termos de insultos e ameaças, a Argentina é o país com números mais altos, seguido do Peru, Costa Rica e Uruguai, onde mais de 30% dos alunos afirma ter sido maltratado verbalmente por algum colega.

A respeito da violência física entre estudantes, cinco países mostram níveis altos: Argentina (23,5%), Equador (21,9%), República Dominicana (21,8%), Costa Rica (21,2%) e Nicarágua (21,2%).

Cuba aparece novamente como o país com a menor porcentagem de violência física entre crianças de uma mesma escola (só 4,4%).

Outra descoberta do estudo é que os meninos sofrem mais de bullying que as meninas, e que os estudantes de zonas rurais experimentam menos maus-tratos que os de zonas urbanas, embora no Brasil, Guatemala, Peru e Uruguai não se observam diferenças neste último âmbito.


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Mais de 50% dos alunos latino-americanos da 6º série sofre bullying na escola