O empresário John Casablancas, dono da agência de modelos Joy Models, está em busca de um novo talento. Para isso, a agência – fundada por ele – fechou contrato com a Mundial Beauty Care e a Impala para a realização do concurso “Beleza Mundial”. “Não queremos mulheres esquisitas e esqueléticas. A modelo deve ser atraente para o grande público e pessoas especializadas”, disse.

Segundo a modelo e atriz, Paula Franco, “algumas modelos não têm noção do que é ser magra e elas acabam passando uma imagem estranha.” Indagada se as campanhas contra magreza e anorexia têm algum efeito sobre o comportamento das tops, ela diz: “Há uma polêmica muito grande. Eu mesma fiz um episódio em Malhação em que eu era anoréxica. Acho que as informações que aparecem na mídia sempre ajudam as modelos e as mães dessas meninas, que vêem as filhas para de comer. Para a passarela, as agências ainda preferem as magras, mas para TV e ensaios fotográficos, nem fica muito bem.”

A experiente modelo alemã Bettina Meinkohn, 42, conta que quando ela começou a carreira o mercado não era tão exigente como hoje em dia. “Fui sortuda no meu biotipo, até porque ser muito magra não era um requisito tão forte como é hoje. É importante a pessoa estar bem, sem olheiras, e tem que se alimentar.”

Com as declarações de que não quer saber de modelos magrelas e que elas devem ter as pernas tão grossas quanto os braços dele, Casablanca traz novamente a polêmica discussão sobre a busca pelo corpo perfeito. Paula Franco conta que é comum as modelos deixarem de se alimentar não só em época de desfile. “Eu morei com uma menina no Japão que comia só salada e fibra. Ela era meio fraca, por isso não conseguia nem fazer as coisas direito. A coloração dela era meio cinza sabe? Não era aquela bochecha saudável, rosada.”

Ao contrário de Paula, que diz evitar frituras e moderar nos doces, Bettina disse que come de tudo. A ginástica permite que ela coma bem: “Eu sempre pratiquei esportes, faço musculação e Yoga. Procuro alternar, fazer um período de um, depois mudo de modalidade”.

Casablancas também afirmou que prefere modelos mais “velhas”: “Eu detesto trabalhar com modelos jovens demais. Acho que estamos roubando a infância delas.” Paula concorda e acha que é ruim, tanto para a formação pessoal como para a educação das meninas, começar uma carreira muito cedo. “Eu comecei minha carreira em 1989, com 16 anos, e tive que abrir mão da faculdade, eu comecei e parei. A responsabilidade é imposta muito cedo e a pessoa amadurece muito rápido. Muito se fala do trabalho infantil, mas a pergunta que eu faço é: porque modelo e ator pode? São profissões que também exigem bastante. Eu tive amigas que nem completaram o colegial”.

Bettina começou a carreira com 17 anos, quando foi descoberta em um restaurante em Munique, e não se arrepende de ter largado os estudos para seguir a carreira de modelo. “Parei de estudar, mas, por outro lado, descobri um mundo muito bacana, aprendi várias línguas e a lidar com pessoas. É difícil ficar longe de casa, mas também é excitante descobrir coisas novas. Mas eu concordo que modelos com menos de 15 anos ainda são muito meninas e ainda não tem uma estrutura para isso. Tem também o fato de que o corpo de mulher chama muito mais atenção e vende mais do que um corpo reto de menina.”

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