Falar de sexo com os pais pode ser muito complicado para alguns e muito natural para outros. As épocas mudaram e alguns valores também. Os tabus, mitos e preconceitos foram tomando outro rumo com o passar dos tempos.

É comum os jovens do século 21 falarem sobre o assunto entre si, principalmente quando estão iniciando uma vida ativamente sexual. “De uns tempos para cá, minhas amigas foram minhas orientadoras, nunca tive coragem de falar para minha mãe ou meu pai que perdi a virgindade”, conta Fernanda Silva, estudante de 19 anos.

Fernanda nunca teve orientação dos pais, nem quando seu corpo ainda estava em desenvolvimento. Em casa, a palavra sexo é sinônimo de desespero, coisa errada ou proibida. “Meus pais sempre me censuraram. Acho que pra eles virgindade só se perde depois do casamento, porque nunca me perguntaram nada sobre o assunto e, é claro, eu nunca puxei. Eles têm uma visão totalmente moralista sobre isso.”

A orientadora sexual do Instituto Kaplan, Sandra Vasques, explica que o ideal não é marcar dia ou hora para um pai conversar sobre isso com o filho. É necessário introduzir essa conversa no dia-a-dia dos adolescentes para eles verem que os pais sabem conversar sobre isso e mostrar os seus valores.

Além da informação, ele deve falar que o filho pode ter autonomia e responsabilidade quando o sexo está em jogo. “Tem que dar apoio e explicar o que significa isso. Sexo é muito pessoal e privado. Os pais têm que se mostrar respeitosos.” Se isso não acontecer, você pode testar o seu pai, lançar uma pergunta. Às vezes eles também precisam de um incentivo e essa iniciativa pode ser sua. A falta dessa conversa pode, mais para frente, refletir na falta de coragem para o jovem ir comprar camisinha ou falar disso com o parceiro.

Educação deve vir do berço

A educação sexual vem se desenvolvendo cada vez mais dentro de casa. Praticamente metade das famílias brasileiras aceita essa prática porque acha melhor do que deixar acontecer naturalmente. A professora de psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, Carmita Abdo, explica que a falta desse assunto não abala o psicológico do jovem quando ele começa a ter uma vida sexual, mas é muito importante por conta das prevenções necessárias. “Isso nunca foi uma prática usual porque é muito novo e não temos parâmetros”, diz.

A estudante Luana Furtado perdeu a virgindade aos 17 anos e hoje está com 22. Ela sempre conversou com os pais sobre o assunto. Isso fez com que ela aprendesse, desde pequena, a se precaver. “Eu falo sobre sexo com meus pais. Antes eram coisas simples como orientação para me prevenir e usar preservativo. Quando resolvi que estava preparada falei para minha mãe e ela me levou ao médico numa boa. Depois, só falei que a primeira vez foi estranha, que doeu e sangrou. O resto é comigo, né?”

Aos nove ou 10 anos, a criança começa a passar por uma mudança na estrutura do corpo e uma mudança nos hormônios. Se você é um pai, uma mãe ou um filho que nunca colocou na roda esse assunto, a psicóloga e a sexóloga dão algumas dicas. Uma das melhores formas é falar sobre uma notícia que sai na televisão ou no jornal. Um comentário básico pode dar entrada a essa conversa.

Outra dica é comprar um livro educativo e deixar no quarto para o adolescente ler quando estiver sozinho, de uma maneira privada. Se essa tentativa também não der certo, chame um tio ou uma tia que aquele jovem tenha mais intimidade e ponha os dois para conversar de forma bem informal. Caso essa pessoa não exista, invista em escolas que oferecem como matéria a orientação sexual ou então em sites de confiança como o do governo e de algumas ONGs. “Geralmente, os adolescentes acham isso constrangedor principalmente se o assunto nunca aconteceu. Essas tentativas podem evitar algumas ameaças constrangedoras para os dois lados como: não vai aparecer grávida.”


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Tabu: "Eu falo sobre sexo com meus pais"