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Este repórter está na banheira de um motel com Daniel Furlan, aquele cara que, até agosto do ano passado, estava na MTV com o Último Programa do Mundo, um dos shows mais anárquicos e sem orçamento que a TV aberta já recebeu. Desde que a MTV Brasil bateu as botas, Daniel está na rua (literalmente), produzindo material novo. Ao lado dos companheiros Juliano Enrico (que faz o personagem Vice-Cônsul de Honduras) e Raul Chequer, ele grava novos episódios, agora para a internet.

Mesmo sem me conhecer muito bem, os caras me chamaram, de última hora, para ser entrevistado na banheira, “no lugar do Alexandre Frota, que teve um contratempo e não pode ir” (eles continuam coerentes com a proposta de fazer o programa com o que têm em mãos).

Daniel, ao meu lado, envolto por espuma de banho, questiona o significado do sucesso, em um discurso para a câmera (veja no fim deste vídeo). “O Último Programa do Mundo teve sucesso. Sucesso moderado, mas ainda assim um sucesso. Mas o que é o sucesso? Será que sucesso é sorrir em publicidade de propaganda porque precisam que você sorria? (…) O que você acha, japonês?”.

Em uma MTV Brasil prestes a acabar, a proposta era mostrar a produção de um talk-show esquizofrênico com “tecnologia obsoleta”, em “um prédio em ruínas, sem trabalho, sem propósito, sem chefe, sem direção, sem Ibope”. Agora, de acordo com Daniel, as possibilidades são ainda maiores.

“Antes, gravávamos em um lugar fixo. Agora, a gente está gravando em várias locações, na rua. É uma loucura maior”, diz o ator, produtor e roteirista. “Agora, o negócio é mostrar a gente fazendo o programa sem emissora, correndo atrás de um canal de TV para veiculá-lo. O lance é estar na rua se desdobrando. A gente é mais patrão do nosso programa”.

Durante a gravação, conversei com Daniel sobre competições de salto em altura entre poodles e atletas profissionais. Vi Daniel tentando pagar o motel com “prestígio”. “Eu não tenho dinheiro, mas tenho prestígio. Vocês aceitam?”. “Só cartão ou dinheiro, senhor”.

E para o Último Programa, o que seria uma boa definição de sucesso? “É ter uma boa aceitação por parte das pessoas que gostavam do programa na TV”, diz Daniel. “Queremos que elas também curtam esse formato para a internet. Queremos alcançar pessoas que nem conheciam o programa na TV. Não temos um objetivo numérico, mas quanto mais pessoas atingirmos, melhor. Um trilhão de pessoas, espero”.

A versão para a internet do Último Programa estreia novos episódios todas as terças. Já foram ao ar três deles. Dá uma olhada aqui embaixo.

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