Da Mata Make Up

Já parou para pensar por que você se maquia? A paulista Daniele Da Mata, de 26 anos, fez esta reflexão e notou que usava produtos de beleza quando não se sentia feliz com a própria aparência e queria alterar o que via no espelho.

“Percebi que usava a maquiagem quando não estava me sentindo bem comigo mesma e acabava fazendo coisas que mudavam meu rosto. Com o tempo fui me conhecendo, sabendo do que eu gostava e hoje uso maquiagem para me sentir bonita, para elevar minha autoestima. Por isso, não gosto de fazer contorno, afinar nariz, nada disso, porque muda quem eu sou”, contou em entrevista exclusiva ao Virgula em sua casa no centro de São Paulo.

E é justamente esta capacidade de empoderamento de bases e batons que Da Mata, como é conhecida, ensina às alunas da escola itinerante de maquiagem para peles negras que criou há três anos. E, mais do que isso, usa suas aulas de duas horas para discutir como o mercado “ainda teima em deixar as mulheres negras invisíveis”.

O projeto itinerante foi batizado de #negrasdoBrasil e já percorreu dezenas de cidades no País. Entre outubro e novembro, passará por nove estados do Nordeste. O curso é aberto para qualquer mulher que queira se conhecer melhor e aprender a usar maquiagem para se sentir mais poderosa. As aulas, que misturam discussão sobre autoestima e material teórico de técnicas de make, são sempre apoiadas por coletivos negros e cobram uma taxa simbólica das participantes que varia entre R$ 39,90 e R$ 79,90. “Mesmo com apoio, não posso fazer um programa gratuito porque um dos objetivos dele é combater a indústria que tem tanta dificuldade em produzir para mulheres negras e mostrar para as marcas que nós somos consumidoras e estamos sim dispostas a pagar por estes produtos e serviços”, explica Da Mata.

Antes de se tornar maquiadora e professora, Da Mata trabalhou por cinco anos em uma empresa de cosméticos. E, até pouco tempo, mal usava maquiagem. Mas, foi quando decidiu fazer faculdade de Direito e viu que precisava de grana para pagar o cursinho pré-vestibular, há seis anos, que decidiu fazer um curso e começou a trabalhar em estúdios e salões de beleza. “Sempre que ia maquiar alguém, notava que explicava demais o que estava fazendo e descobri que o que gosto mesmo é ensinar”.

Dito e feito. A maquiadora, que é fã dos makes usados por Cris Viana, Taís Raújo, Lupita Nyong’o e Viola Davis, tirou uma tarde para nos ensinar a fazer uma automaquiagem especial para pele negra incrível, prática e que serve “para vida”.

Dê o play no vídeo acima e confira o passo a passo aqui também:

1) Limpeza
Comece lavando o rosto e aplicando tônico, hidratante e o imprescindível protetor solar.

2) Corretivo
“Para pele negra, corretivos com fundo laranja são ideais para camuflar aquelas manchinhas pretas que temos perto do olho”. Escolha o tom que melhor se adapte à sua pele.

3) Base
Para começar, tenha em mente o seguinte detalhe: “base é para se sentir bonita e não para transformar o rosto”. A função dela é dar ao rosto uma tonalidade só, uniformizar a pele. Por isso, tente encontrar o tom que mais se adapta para manter a naturalidade e não deixar o make acinzentado ou alaranjado.

“A pele negra geralmente é mais clara e amarelada nas bochechas e mais escura nas extremidades, perto da boca e no canto dos olhos. Por isso, o ideal é que a base seja compatível com este tom mais escuro para que a aparência fique o mais natural possível”, explica Da Mata. Para isso, teste o produto no queixo, no pescoço e no busto.

4) Pó
O pó tem a função única e exclusiva de selar a maquiagem e não de dar cor. “Para pele negra, o pó ideal é o translúcido com fundo que puxe para o laranja ou amarelo”.

Da Mata

5) Contorno
O contorno usado em exagero afina desproporcionalmente e transforma o rosto. O melhor seria apostar na tendência discretamente apenas para dar formato.  “O ideal é usar um pó um tom mais escuro do que a base para escurecer levemente as laterais da maçã do rosto. Vale lembrar que ele também funciona como blush”, diz a maquiadora.

6) Iluminador
Para finalizar a pele, ilumine! O iluminador vai sempre acima do contorno na lateral do rosto e abaixo dos olhos. “Ele traz de volta a luz que a base tirou e o ideal é que apareça só quando a luz bate. Se as pessoas olharem para você e já enxergarem o iluminador, está errado”. Dentro do tom de pele, veja se prefere um produto mais bronzeador, alaranjado, amarelado ou com fundo branco.

7) Sobrancelha
Arrumar a sobrancelha é sempre um medo. Cuidado para não pesar a mão e mudar a expressão porque ela é a moldura do rosto. “A regra é nunca usar preto. Lápis marrom é a melhor solução sempre”.

8) Côncavo
Para o dia a dia, prefira um côncavo mais claro. Para este make, por exemplo, foi usado o mesmo pó do contorno. Atenção com o equilíbrio: depois de passar a cor mais escura nas laterais externas da pálpebra, use uma sombra mais clara para iluminar a parte interna. “É sempre um balanço. Se escureceu de um lado, clareia de outro para evitar que o olho fique com a expressão caída”.

9) Delineador
Uma boa dica é começar o delineador pelo canto externo e sempre fazer uma parte dele com o olho aberto. Termine o traço pintando a região bem rente aos cílios.

10) Rímel
Para não manchar a sombra, uma boa dica na hora da máscara de cílios é posicionar o espelho na altura do busto e olhar para baixo enquanto aplica. Sempre passe o rímel da raiz para as pontas.

11) Batom
“Para as mulheres negras, simplesmente achar a base certa para seu tom de pele é incrivelmente difícil, então as pessoas criam um medo e eu vejo isso principalmente em relação aos batons. É muito comum as mulheres negras usarem sempre os mesmos tons há décadas, que são sempre marrom e vinho. Tem alguns batons que são tão comuns que todas as minhas alunas, de qualquer idade, conhecem. Então, usar um tom verde, preto ou qualquer outro ainda é uma forma de resistência para nós”, comenta Da Mata.

Ela explica que batons com brilho, como gloss, tendem a aumentar a boca. Enquanto as versões mate diminuem a sensação de lábios grandes. “Sim, a boca da mulher negra é grande e ela vai ficar assim”, disse.

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