Ava Rocha em foto de Ana Alexadrino

Ava Rocha em foto de Ana Alexadrino

O primeiro cartão de visitas é “filha do cineasta Glauber Rocha” – e isso a orgulha -, mas Ava Rocha tem ideias próprias, estéticas particulares e tornou-se referência para a cena underground carioca, junto com o marido Negro Léo, de forma que retorna a São Paulo, para lançar seu segundo álbum Ava Patrya Yndia Yracema cercada de expectativas.

Ouça Ava Rocha:

Mãe de Uma, a carioca trata da multiplicidade feminina em seu álbum. “A mulher assume seu cocar, se empodera, não pra afirmar o seu gênero, mas a sua potência total.”, define.

Ava faz o show de lançamento do disco na capital paulista nesta terça (23) na Serralheria sobe ao palco junto com Thomas Harres, Marcos Campello, Eduardo Manso e Felipe Zenícola. Leia nossa conversa com ela.

Você é filha de cineastas, já dirigiu filmes, quando você compõe, costuma pensar em um diálogo entre som e imagem?
Ava Rocha – Às vezes, eu penso, mas nem sempre, até porque tenho relação com outras coisas, e porque a vida é plena de muitas coisas. então varia muito, há canções que nascem de uma imagem, como de um sentimento. Umas são mais racionais, outras espontâneas, por exemplo.

É verdade que sua carreira como cantora começou em São Paulo? Qual foi a importância desse momento para você?
Ava –
Eu sempre cantei e usei minha voz, mas pode-se dizer que em São Paulo tive minha estreia cênica, apesar de já ter tido pequenas experiências anteriores no palco. Foi no Teatro Oficina, cantando Luar do Sertão, na montagem de Os Sertões, pelo Teatro Oficina, dirigido pelo Zé Celso. Outro aspecto importante é que uma grande influência musical para mim, que é meu irmão Pedro Paulo Rocha, mora em São Paulo e pode-se dizer que comecei a compor com ele, e foi a partir da nossa relação que eu comecei a me aprofundar na música.

Ava Rocha em foto de Ana Alexadrino

Ava Rocha em foto de Ana Alexadrino

O que acha das comparações com Cássia Eller, sente que faltam referências quando surge algo novo no Brasil?
Ava – Eu não sei porque me comparam com a Cássia, embora adore ela e a respeite muitíssimo. É certo que escutei bastante a Cássia mas nunca busquei referências claras nela, embora por vezes me sinta conectada a ela, mulher maravilhosa mesmo, fico lisonjeada que alguém tenha feito esse link. Mas isso se dá com vários artistas. Nunca tive ídolos nem espelhos. Pra mim tudo é amalgama e antropofagia. Somos permeados de tanto que nem sabemos.

Você á disse que seu disco trata do universo feminino de uma forma múltipla. Sente que a música brasileira ainda é carente de canções feitas por mulheres de uma perspectiva feminista?
Ava – O fato do disco ser feminino não quer dizer que fala somente sobre mulher. O feminino está ligado a um devir e a uma potência geradora e criadora, e que está implícita no disco e no nome do disco, estamos falando de América, estamos falando de política, estamos falando de paixão, de nação, de Pachamama, de amor, de maternidade.

Então da mesma maneira que é feminino é masculino. Onde há feminino há masculino. Portanto quando digo que o disco é feminino, estou afirmando o masculino também. É nesse sentido em que o feminino, a mulher, assume seu cocar, se empodera, não pra afirmar o seu gênero mas a sua potência total.

SERVIÇO

Ava Rocha lança  Ava Patrya Yndia Yracema
Nesta terça (23), às 21h
Serralheria, Rua Guaicurus, 857, Lapa
Ingresso R$ 30
Vendas antecipadas R$ 25, (aqui)

 

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