Carnaval de rua em São Paulo

Carnaval de rua em São Paulo

Alguém duvida que São Paulo teve o Carnaval dos Carnavais? Foi muita coisa certa junto. O cortejo afro Ilu Obá De Min, o Dengue Dengue Dengue detonando sua cúmbia digital do Peru no Sesc Pompeia, o tributo dionisíaco a Caetano Veloso com o Bloco Tarado Ni Você, a Espetacular Charanga do França, o Jegue Elétrico, o Bloco dos Esfarrapados, Elis Regina vencendo na Vai-Vai.

Rolou um golzinho contra. Foi tipo o 7 a 1 ao contrário. O episódio na Vila Madalena das bombas de gás usadas para dispersar os foliões. Para onde terá ido o “feitiço da Vila” para que ela fosse reduzida a ser o “bairro boêmio” da cidade. A Vila, que não é a de Noel Rosa (1910/1937), “só quer mostrar que faz samba também”. E os vizinhos querem dormir.

Na Barra Funda, também ouvi bombas, no domingo (16) às 22h, três delas. Depois, pessoas passaram correndo desesperadas e falando que eram bombas de gás lacrimogêneo. Não sei se era verdade ou não. Eu não seria besta de ir lá checar e tomar porrada.

São Paulo não é o túmulo do samba, mas também é. Quando você ouve um bloco desconjuntado na rua ou tenta seguir um trio e não ouve mais a música a dez metros, ela é. Quando o Estado te joga uma bomba, o ônibus, trem e metrô sobem pra R$ 3,50, o aluguel fica impossível de pagar, ela é tipo: “SP I love you but you’re bringing me down”, parafraseando James Murphy.

Carnaval de rua em São Paulo

Carnaval de rua em São Paulo

Mas como a chuva grossa que passou lavando a alma e enchendo a Cantareira, São Paulo é uma cidade em eterno movimento, em que “a gente se embala, se embora, se embola” como cantou Caetano em Chuva, Suor e Cerveja.

São Pã, como a chama Zé Celso, é uma cidade em que estamos o tempo todo implorando para ela: “Não se perca de mim, não se esqueça de mim, não desapareça”.

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