Neste sábado (25), primeiro dia do festival Lollapalooza no Autodromo de Interlagos, São Paulo, as atrações brasileiras fizeram shows que não devem em nada aos artistas estrangeiros. O pop performático do paraense Jaloo, a psicodelia com influências de rock britânico dos cariocas do The Outs, o techno do paulista Victor Ruiz atraíram grande público. Suricato, Criolo e BaianaSystem foram destaques.

No Palco Axe, ao comando de Russo Passapusso e participação de BNegão, o BaianaSystem apresentou sua peculiar mistura de guitarra baiana e sound system (sistema de som popular na Jamaica) junto de letras engajadas e muita energia. O Lolla sentiu a vibe do grupo como se estivesse no Carnaval de Salvador e Passapusso organizou diversas ‘roda punks’ e ‘moshs’. A galera se jogou, literalmente.

O BaianaSystem  puxou um coro de “Fora, Temer” no Carnaval baiano deste ano, mas no festival em São Paulo não estimulou o tom de protesto contra o presidente.  Apesar disso,  na última música, o grito de protesto se generalizou. Passapusso respondeu: “A voz do povo é a voz de Deus”.

“A terapia do som que faz bem” canta o BaianaSystem. Foto: MilaMaluhy MRossi

 

Quase no mesmo horário da banda baiana, Suricato se apresentou no Palco Skol com canções autorais do álbum “Sol-Te”. O folk-rock da banda que ganhou destaque no cenário nacional após participar do reality musical “SuperStar” animou o público ainda pequeno que chegava ao festival.

O vocalista Rodrigo Suricato recentemente foi anunciado como novo vocalista do Barão Vermelho no lugar de Roberto Frejat, mas não deixou o Suricato. Ele mostrou vocal afiado ao homenagear Chuck Berry, morto recentemente. “Eu queria tocar essa para Chuck Berry. Sem ele, jovens, esse festival não existiria”, disse Rodrigo. Ele também lembrou das bandas independentes. “Dedico esse show a todas as bandas independentes do País, que tanto se esforçam para conseguir sobreviver de música e se ferram para caramba por aí”, disse.

Suricato na tradicional foto no lambe-lambe antes do show. Foto: Reprodução/Instagram

Criolo marcou a edição de 2013 com o tom de protesto e trouxe em 2017 novamente o discurso da periferia com as músicas do último disco, “Ainda Há Tempo”. Na música “Sucrilhos”, a galera gritou “Fora, Temer” e o MC respondeu: “Eles têm que sair das trevas. Chega de desigualdade”.

Em meio a “pregação musical”, Criolo também cantou  hits como “Não existe amor em SP”, “Lion man”, “Vasilhame” e “Grajauex”. Em um festival indie cada vez mais eclético, o paulista mostrou a força do rap e da música brasileira.

Criolo cola no Lolla e arrasta multidão. Foto: MilaMaluhy-MRossi_

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