Os baianos Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Maria Bethânia se reúnem novamente no palco sob a alcunha de “Doces Bárbaros”, 26 anos depois do lançamento do álbum homônimo, para comemorar a data e festejar os 10 anos do Projeto Pão Music neste final de semana. No repertório, Gil promete novos arranjos para alguns dos clássicos do quarteto e até mesmo uma nova composição.

O espetáculo histórico acontece no sábado no parque do Ibirapuera, em São Paulo, e no domingo na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.

“Algumas canções serão apresentadas com nova roupagem, como ‘São João, Xangô Menino”‘, disse Gil, em entrevista coletiva na terça-feira a noite. “Também vamos recuperar o repertório histórico de cada um e outras músicas serão incorporadas como ‘Outros Bárbaros’, que compus especialmente para a ocasião.”

Caetano Veloso justificou a ausência de canções novas específicas para o show com o cansaço do retorno da turnê internacional, que fez com seu mais recente disco “Eu não Peço Desculpa”.

“Queria ter composto algumas coisas, mas saí do show com o Jorge Mautner nos Estados Unidos direto para o avião e de lá para os ensaios. Não tive tempo”, contou Veloso.

Os quatro baianos atribuem a Maria Bethânia a idéia de formar “Doces Bárbaros”, em meados da década de 1970, quando todos já haviam trilhado caminhos distintos na efervescente Rio de Janeiro e resolveram então lembrar os tempos da Bahia.

“Nós já tínhamos carreiras definidas e consolidadas, mas lembro que, na época, fiquei com uma vontade tremenda de resgatar aquele clima de quando éramos do interior, na Bahia. Bateu saudade”, disse Bethânia.

Demonstrando o mesmo entusiasmo de 26 anos atrás, os músicos têm se reunido para ensaios no estúdio de Gilberto Gil, na Estrada da Gávea, zona sul do Rio.

“DOCES” PARA SEMPRE

Essa não vai ser a primeira vez que os baianos retomam os “Doces Bárbaros”. Em 1994 fizeram um show na Quadra da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, que tinha escolhido os quatro como enredo daquele ano. Depois, subiram no mesmo palco em Londres e no carnaval de Salvador em 2001, para homenagear Dorival Caymmi.

Dessa vez, o show será imortalizado. O espetáculo deve ser transformado em DVD e em CD no próximo ano, feitos pela produtora Conspiração Filmes, mas ainda em fase final de acordos com as gravadoras — já que cada um dos artistas possui uma diferente.

Os artistas foram unânimes na decisão de que todo o material aproveitado seja o original, sem retoques de estúdio.

“Essa vai ser a grande graça do encontro. Fizemos questão que a noite registrada seja a da Praia de Copacabana. Fica mais animado. É só as pessoas chegarem lá, assistirem e transmitirem aquela energia”, definiu Bethânia.

“Quando me apresentei nesse projeto sozinha em Copacabana foi maravilhoso, imagina agora a energia daquele público recebendo nós quatro. É claro que isso vai passar para o CD”, acredita Gal.

O clima de nostalgia, no entanto, foi quase quebrado por Caetano Veloso, que acabou se irritando quando perguntado se um evento reunindo tantas estrelas não resultava num choque de egos.

“Estarmos os quatro reunidos não é fácil! O conceito de ego é mal definido pela elite intelectualizada. Isso é cafona, uma imbecilidade. Quando falam em ego, na verdade insinuam que vivemos brigando. Isso nunca aconteceu. Temos divergências, mas tudo é resolvido pacificamente”, disse.

Mas foi Gal Costa, com a mesma voz afinada e suave que imprime em suas canções, que interveio para apaziguar os ânimos. “Por que haveríamos de brigar?. É uma reunião especial e temos uma história que se impõe”, afirmou a cantora, com o conservadíssimo sotaque baiano.

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