Clean Bandit

(Crédito: divulgação)

Pegue um liquidificador. Coloque dentro alguns elementos de deep house, synthpop, drum’bass, reggae, nu-disco, e, para dar aquele toque especial, tempere com um tiquinho de música clássica e pop barroco. Pronto! Agora é só bater e desfrutar do pop feito pelo Clean Bandit. Acredite, essa mistureba toda ficou boa pra caramba, ao ponto de você querer dar o play várias vezes.

Esse é o segredo do sucesso da nova sensação britânica que vem conquistando as paradas. É indie, é pop, é quase mainstream. Seu disco de estreia, New Eyes, saiu no Brasil via Warner Music, e para ter uma ideia do alcance do grupo, o primeiro single, Rather Be, bateu recorde no Shazam e no Spotfy, atingindo mais de um milhão de streaming na semana de lançamento. No Youtube, o vídeo tem quase 270 milhões de views. Eles também se apresentaram no festival Coachella, nos EUA, e estão se preparando para estrear nos palcos do gigante Glastonbury, na Inglaterra. Isso tudo não é release, é realidade.

Por telefone, entre um festival e outro, o Virgula Música bateu um papo com Grace Chatto, a única garota da banda (embora eles usem várias backing vocals femininas nos shows). Muito simpática, a musicista mostrou estar desfrutando do sucesso atual do grupo, comentou sobre esse aglomerado de estilos que fazem, e deu a letra aos produtores de shows: “Esperamos tocar no Brasil o quanto antes”. Se liga na conversa:

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(Crédito: divulgação)

Virgula Música: vocês tocaram recentemente no festival de Coachella, como foi a recepção nos EUA?

Grace Chatto: Nunca tínhamos tocado no festival, e sabíamos que muitas pessoas que estavam lá não foram exatamente para nos ver, mas aquelas milhares de pessoas demonstraram muita empolgação com o nosso show. Diferente dos festivais europeus, que quase sempre chove, em Indio nós tocamos à tarde e diante de um belo sol, que rendeu um clima bem ‘pra cima’ no nosso show. Ainda tocamos uma música nova chamada Disconnect, em que Marina, do Marina & The Diamonds, se juntou a nós para cantá-la. Foi tudo incrível!

Vocês também estão no lineup do Glastonbury, outro grande festival. Como você analisa o atual momento da banda?

Nossa, estamos em um ótimo momento, tocando muito e nos principais festivais do mundo. Mas não é uma coisa que aconteceu de repente. Estamos batalhando por isso há um bom tempo, digamos que uns sete anos, e nunca fomos movidos pelo dinheiro, apenas fomos focando nas músicas. Parece que agora estamos ganhando esse reconhecimento. Isso é muito excitante, poder tocar para pessoas diferentes à cada show.

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Clean Bandit no Coachella 2015 (crédito: reprodução Facebook)

Como você definiria o som do Clean Bandit para quem ainda não os conhece?

Uma pergunta difícil de responder, pois a gente mistura muitos estilos diferentes em nossa música. Inserimos tudo o que a gente costumo ouvir em casa. São influências que vão do reggae ao drum’ bass, da world music a música instrumental. Gosto de dizer que somos um grupo pop.

Vocês também fazem um mix de eletrônica com a música clássica. Como nasceu essa ideia de colocar instrumentos clássicos, como o violino, no som de vocês?

Bom, é uma história antiga. Eu, Jack Patterson e Milan Neil tínhamos um projeto de quarteto de cordas na faculdade, sempre tocando música clássica. Então, Jack veio com umas batidas de tambores e uns beats eletrônicos e misturamos para ver como ficaria. Um amigo escreveu a letra para uma musica que viria a ser Mozart’s House, e a partir daí decidimos criar a banda, e também que os instrumentos clássicos fariam parte dela. Foi meio que um andamento natural para a nossa música e acabou virando a nossa marca registrada.

A banda trabalha com muitos vídeos promocionais. O quão importante é a imagem para vocês?

Hoje em dia a imagem é muito importante para promover a música. É um outro jeito de vender o seu trabalho. Em nossos vídeos a gente tenta não colocar limites nas ideias. Quando ligamos as câmeras as coisas simplesmente fluem. Mas, claro que há um trabalho muito duro na edição, pois nossos clipes são cheios de efeitos. Bom, a imagem acaba sendo muito importante em nossa carreira e nós adoramos faze-los. Acho que casam bem com a nossa proposta musical.

Com a ascensão da EDM (Electro Dance Music), os DJs têm ganhado espaço entre as atrações principais dos maiores festivais. No palco, eles são apenas um. Por que vocês preferem tocar com uma banda inteira no palco ao invés de usar elementos eletrônicos e enxugar a quantidade de músicos?

A música eletrônica é muito excitante, e pra gente seria muito mais fácil termos apenas DJs no palco. Mas tocar todos os instrumentos ao vivo é um desafio muito maior, e gostamos disso. Acreditamos que para o público também é mais interessante ver de onde saem os sons. Em nossos shows, gostamos de usar bateria, sintetizadores, violino, etc., assim a apresentação ganha mais vida. E, mesmo fazendo um som eletro pop, o Clean Bandit é composto por músicos, então pra gente seria estranho gravar os instrumentos no estúdio e não levá-los para o palco, entende? Nos inspiramos em bandas como Rudimental e Basement Jaxx, que fazem um som eletrônico com instrumentos no palco. Diferente do Chemical Brothers, por exemplo, que eu amo a música deles, mas ao vivo não tem a empolgação de uma banda.

E de música brasileira, conhece algo?

Humm, eu não sei, deixa eu pensar…Sim! Eu me lembrei de um músico brasileiro que eu amo, o Villa Lobos. Eu estudava muito sua música quando eu era adolescente. Eu tocava com o meu pai. Eu amo samba, também!

E você acha que o samba combinaria com a música do Clean Bandit?

Sim, eu acho que sairia algo interessante dessa mistura. Vou pensar a respeito (risos). Talvez em alguma música de um disco futuro. Quem sabe?

Para finalizar, você quer deixar alguma mensagem para os fãs brasileiros?

Estou muito feliz em poder falar diretamente com o Brasil, e espero poder ir tocar aí o quanto antes. Tenho curiosidade em conhecer mais sobre o ritmo e a música brasileira.

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(Crédito: divulgação)

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