Maiara e Maraisa

Divulgação Maiara e Maraisa

Acontece nesta sexta (2), em São Paulo, a festa Meu Cupido É Gari. O evento chama a atenção no Facebook por se tratar de uma festa sertaneja em um lugar que geralmente recebe eventos mais “hipster”, o Cine Joia, em São Paulo. Além disso, a descrição é curiosa: “Nós preparamos uma festa para abrir as festas juninas e lançar um novo gênero: DRAGNEJO”.

A trilha sonora do evento, de acordo com a descrição, fica por conta dos artistas tradicionais do sertanejo e que estão em alta no momento, como Marilia Mendonça, Maiara & Maraísa, Simone & Simaria, Wesley Safadão, Henrique & Juliano, Matheus & Kauan e Jorge & Mateus. Então qual é a grande diferença de uma festa que exalta o “feminejo”, “hipsternejo” e “dragnejo” para uma festa de sertanejo?

Conversamos com Marília Castelli, organizadora do evento, para entender melhor:

Virgula: Por que fazer uma festa sertaneja em um lugar tradicionalmente “hipster”, como o Cine Joia?

Marília: Então, a ideia é fazer uma festa de feminejo mais inclusivo para o público LGBT que muitas vezes não frequenta casas tradicionalmente conhecidas por serem de sertanejo. O Cine Joia gostou da ideia e incentivou sediando a festa! Muitas dessas pessoas consideradas “hipster” têm curtido a cena de sertanejo e feminejo e vê uma oportunidade de curtir a festa numa boa.

Virgula: Você acredita que ainda hoje muita gente se sente desconfortável em shows e eventos sertanejos “tradicionais” por conta do público?

Marília: Acredito que existam muitas pessoas que se sintam desconfortáveis sim, principalmente as mulheres por conta do tipo de abordagem dos homens que acontece em algumas baladas desse gênero. Por outro lado tenho amigas que vão aos shows de feminejo (Marília Mendonça e Maiara e Maraisa, por exemplo) e gostam bastante. Talvez nesses shows já exista outro tipo de abordagem.

Virgula: E você acha que a ascensão dessas artistas do “feminejo” é responsável por uma mudança de público nos eventos do gênero? Começou a ter interesse de uma galera que nunca tinha se ligado em sertanejo?

Marília: Nos eventos como balada eu não tenho certeza, mas nos shows sim. Pelo menos no meu círculo social (que é bastante LGBT) tenho visto muita gente começar a ir nesses shows. Já aconteceu de estar com amigos em um evento super hipster alternativo e eles saírem mais cedo porque iam no show da Simone e Simaria. Acho que as pessoas estão tendo mais abertura pra gostar de músicas do gênero. Há menos julgamento, sabe?

Virgula: O sertanejo sempre é muito criticado por monopolizar as rádios e ser a música das massas, que é o que os hipsters combatem. Você acha que pode rolar algum tipo de contradição? Existe gente que curte ironicamente, por exemplo?

Marília: Olha, na minha opinião não existe curtir ironicamente. Existem aqueles que não curtem mesmo, simplesmente não gostam, existem aqueles que se negam a curtir por preconceito e existem aqueles que curtem em níveis diferentes: desde os que só ouvem na balada, até outros que ouvem em casa. Qualquer nível de curtir acho que já é bom.

Virgula: E o que seria “gaynejo”, “sapanejo” e “hipsternejo” da descrição do evento?

Marília: Dragnejo porque vai ter show de sertanejo cantado por uma drag, haha. Hipsternejo justamente por ser no cine joia. E sapanejo e gaynejo pra deixar claro que é uma festa mais inclusiva pro público LGBT.

A festa Meu Cupido é Gari acontece nesta sexta, 2 de junho, no Cine Joia, que fica na Praça Carlos Gomes, em São Paulo. A casa abre às 23h e ingressos podem ser comprados por meio do site.

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