(Foto: Lisa Boostani) Laure Briard

Antes de dormir, acenda um incenso. Deite em sua cama com a janela aberta e sinta o vento acariciar o seu rosto. Assim que estiver completamente relaxado(a), aperte play em Un peu plus d´amour s’il vous plait (Um pouco mais de amor, por favor), terceiro álbum de inéditas da cantora francesa Laure Briard, lançado nesta sexta, 1 de fevereiro, com distribuição da Midnight Special Records.

A dica de cenário perfeito para apreciar o trabalho vem da própria Laure, que em entrevista ao Virgula contou um pouco mais sobre o lançamento, definindo a sonoridade de suas novas canções: “O som é psyché dos anos 60. Mas, eu gosto de ir em muitas direções diferentes. No estilo, no vocal e no humor”.

As letras que escrevo são sobre a minha vida. Há coisas sobre as quais não posso falar na vida real, alguns sentimentos que não posso assumir. Então, me liberto através da música. Eu entrego uma mensagem”, revela Laure. “Posso ser influenciada por uma palavra que alguém disse na rua ou por uma imagem em um filme”, conta ela, que compôs o álbum após uma turnê marcante pelo Brasil em 2018.

“Tocar no Brasil foi uma das mais belas experiências que aconteceu comigo. Um dos melhores momentos da minha vida. Isso me surpreendeu. O público era tão entusiasmado e as pessoas tão gentis e atenciosas. Isso nunca aconteceu comigo na França”, relembra a experiência que teve em terras tupiniquins.

O contato com o nosso país a levou a gravar o EP Coração Louco, com músicas cantadas em português e produção de Benke Ferraz, do Boogarins. Também rendeu uma bela homenagem a Jorge Ben na faixa Jorge. “Alimenta a minha mente… Estou completamente obcecada”, diz Laurie sobre a música brasileira, comparando-a com a musicalidade francesa: “Estão relacionadas à sensibilidades e vibrações”. 

Confira o papo completo abaixo e entre nesse mundo deliciosamente pop e retrô de Laure:

(Foto: Lisa Boostani) Laure Briard

Como foi o processo de composição de Un peu plus d´amour s’il vous plait? E o que lhe inspirou a escrevê-lo? 

Laure Briard: Estou acostumada a escrever palavras ou ideias de músicas o tempo todo. Eu tenho um caderno na minha bolsa e um dia percebi que estava cheio. Então, disse para mim mesma que seria o momento de pensar em um álbum. Então, comecei! As letras são sobre minha vida. Há coisas sobre as quais não posso falar na vida real, alguns sentimentos que não posso assumir. Então, me liberto através da música. Eu entrego uma mensagem. Posso ser influenciada por uma palavra que alguém disse na rua, ou por uma imagem em um filme.

No álbum encontramos estilos que vão do garagem ao pop, do indie à música psicodélica. Como você o define?

No geral, acho que posso dizer que o som é psyché dos anos 60. Mas, você sabe que eu gosto de ir em muitas direções diferentes. No estilo, no vocal e no humor. Então, é complicado para mim resumir. É sempre uma pergunta complicada, hehe. Os arranjos podem dizer.

Qual momento do dia você nos indica para ouvir o álbum? Que horas ele funciona melhor?

Eu diria à noite, antes de ficar com sono. Ouça na cama, confortavelmente instalado com travesseiros frios. Deixe o ar fresco vindo da janela acariciar o seu rosto. Você também pode observar as estrelas pela janela, caso o céu esteja limpo. Coloque um pouco de luz de incenso com uma vela (como em um ritual). Quando você se sentir completamente relaxado(a), pode começar a ouvi-lo. 

Capa de Un peu plus d’amour s’il vous plait

Em 2018, você lançou o EP Coracão Louco, cantando em português. A música brasileira teve influência em Un peu plus d’amour s’il vous plait?

Acho que sim. Eu não sei dizer precisamente como. Mais nas letras, estranhamente … Esse tipo de coisa faz parte de mim … Alimenta a minha mente. Eu estou completamente obcecada…

Por que você acha que os brasileiros gostam tanto da música francesa? Qual é a conexão entre a música brasileira e a francesa?

Talvez isso esteja relacionado à sensibilidades e vibrações. Além disso, acho que a França teve artistas muito emblemáticos e muito carismáticos nos anos 60. Foi uma época de ouro com pessoas como Serge Gainsbourg e Françoise Hardy. Isso criou uma espécie de dimensão especial.

Gostaria de enviar uma mensagem aos fãs e amigos brasileiros? 

A turnê que fiz no Brasil foi uma das mais belas experiências que aconteceu comigo. Um dos melhores momentos da minha vida. Isso me surpreendeu. O público era tão entusiasmado e as pessoas tão gentis e atenciosas. Isso nunca aconteceu comigo na França. Então, eu não posso esperar para voltar e gostaria de tocar no país todo. Sou muito grata a tudo isso e pelos meus amigos no Brasil que me ajudam e me encorajam a fazer isso. E, agradeço ao universo por ter colocado os Boogarins em meu caminho. 

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